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Correio da Manhã

Mundo
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PAPA PRESSIONA BUSH

O Papa João Paulo II recebeu o presidente norte-americano, George W. Bush, no Vaticano, esta sexta-feira, e aproveitou a ocasião para pedir uma rápida devolução da soberania aos iraquianos e novas e “sinceras” negociações para o restabelecimento da paz na Terra Santa.
4 de Junho de 2004 às 14:56
Esta foi a terceira reunião entre George W. Bush e João Paulo II. As fotos do evento podem ajudar Bush junto da comunidade católica norte-americana em ano de eleições presidenciais, mas as palavras do Papa, ainda que politicamente correctas, constituíram um exercício de pressão sobre a acção dos EUA no Mundo.
“É desejo evidente de todos que a situação (no Iraque) seja normalizada o mais rápido possível, com a participação activa da comunidade internacional, particularmente da ONU, por forma a assegurar a devolução rápida da soberania aos iraquianos, em condições de segurança para todos”, disse João Paulo II ao presidente norte-americano. De uma forma cuidada, o Papa fez ainda referência ao escândalo da tortura de presos iraquianos, dizendo a Bush que, “nas últimas semanas, foram revelados acontecimentos deploráveis, que afligiram a consciência cívica e religiosa de todos nós”.
Sentado ao lado de Bush, o Papa referiu que a recente nomeação de um chefe de Estado e a formação de um governo interino no Iraque constituem passos encorajadores no sentido da normalização da situação no Iraque. Mas o eventual elogio não passou de uma táctica usada pelo Papa com o objectivo de ‘fazer a ponte’ para outra crítica. “Que uma esperança semelhante de paz possa surgir na Terra Santa e leve a novas negociações, ditadas por um sincero e determinado empenho no diálogo, entre o governo de Israel e a Autoridade Palestinana”, pediu João Paulo II.
George W. Bush chegou hoje a Roma, dando início a uma visita de três dias à Itália e a França, a que se seguirá a presença na cimeira da NATO na Turquia. A capital italiana era hoje uma cidade autenticamente fortificada, alvo de uma impressionante operação de segurança e destino de italianos empenhados em mostrar ao presidente norte-americano o seu descontentamento em relação à guerra no Iraque.
Amanhã Bush viaja para França, onde se reúne com o presidente Jacques Chirac, franco opositor da intervenção militar no Iraque. Bush e Chirac serão dois dos 17 chefes de Estado que irão participar, domingo, nas cerimónias do 60º aniversário do desembarque na Normandia.
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