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Correio da Manhã

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Papa rezou na sinagoga pelas vítimas do Holocausto nazi

O Papa Bento XVI condenou esta sexta-feira o nazismo, classificando-o como uma “ideologia racista demente de matriz neopagã” e rezou pelos judeus que morreram durante o regime nazi, na Sinagoga de Colónia, a mais antiga da Alemanha. No segundo dia da Jornada Mundial da Juventude, Bento XVI pediu a judeus e cristãos que se unam para que “forças do mal nunca cheguem ao poder”, sublinhando a importância do “património comum” das duas religiões.
19 de Agosto de 2005 às 15:28
Bento XVI à entrada para a sinagoga em Colónia, na Alemanha
Bento XVI à entrada para a sinagoga em Colónia, na Alemanha FOTO: Federico Gambarini/Pool (Reuters)
Perante os líderes religiosos judeus de Colónia, o Papa afirmou que “no tempo mais obscuro na história alemã e europeia, uma ideologia racista demencial esteva na origem da tentativa, planeada e realizada sistematicamente pelo regime, de exterminar o judaísmo europeu”.
Bento XVI apelou também à “vigilância” contra a emergência de “novos sinais de antisemitismo” e a manifestação de “diversas formas de hostilidade generalizada contra estrangeiros”. Considerando que este é um “motivo de preocupação”, o Papa destacou que a “Igreja se compromete a lutar pela tolerância, pelo respeito, a amizade e a paz entre todos os povos, culturas e religiões”.
Bento XVI afirmou que as actuais gerações não conhecem os acontecimentos ocorridos antes e durante a II Guerra Mundial, em referência ao nazismo e ao holocausto, sublinhando que a Igreja Católica tem a obrigação de transmitir os valores para que acontecimentos deste tipo não se repitam.
O Papa sustentou também que o "património comum" das religiões católica e judaica deve incitá-las a "avançarem em conjunto com um testemunho ainda mais unânime" para a defesa dos seus valores comuns: direitos do homem, defesa do carácter sagrado da vida humana, família, justiça social, paz no mundo.
A fraternidade entre as religiões é um dos temas centrais da visita de quatro dias que o Papa efectua a Colónia. Ainda esta sexta-feira, o responsável máximo da Igreja Católica terá um encontro ecuménico no arcebispado alemão e amanhã vai reunir-se com muçulmanos. Bento XVI chegou quinta-feira à Alemanha, sua terra natal, naquela que é a primeira viagem oficial.
LÍDER JUDEU PEDE AO PAPA PARA ABRIR OS ARQUIVOS DO VATICANO
O líder judaico alemão Abraham Lehrer tocou num ponto sensível das relações com católicos quando esta quinta-feira pediu ao Papa bento XVI para abrir todos os arquivos do Vaticano relativos à II Guerra Mundial e ao Holocausto.
Na recepção do Papa à sinagoga de Colónia, Abraham Lehrer afirmou que o Sumo Pontífice tem uma responsabilidade especial na abertura dos arquivos, que segundo alguns críticos contém o que o Papa Pio XII sabia sobre o Holocausto.
Este Papa é acusado de não dar importância ao que se passou no holocausto, por outro lado, o Vaticano afirma que ele trabalhou nos ‘bastidores’ deste acontecimento salvando os judeus.
Bento XVI não respondeu ao apelo do líder judeu, contudo no seu discurso fez referência à necessidade de se encontrar “uma interpretação comum de alguns assuntos históricos que continuam em disputa”.
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