Greve dos transportes públicos na capital e dos comboios de médio e longo curso atinge este domingo o recorde de um mês consecutivo.
A greve dos transportes públicos na capital e dos comboios de médio e longo curso atinge este domingo o recorde de um mês consecutivo, uma situação "catastrófica" para os passageiros e que afeta também a economia do país.
"Viver assim durante um mês não é nada prático, é preciso acordar muito cedo para chegar ao trabalho e é difícil. Agora que ainda estamos em período de férias está mais ou menos, mas quando voltar tudo ao normal vai ser catastrófico", disse Christelle, farmacêutica e passageira dos transportes públicos, em declarações à Lusa.
Se Paris já é uma cidade conhecida pelo seu ritmo acelerado, as principais gares da capital francesa às horas de ponta tornaram-se frenéticas desde há um mês, quando teve início a greve dos transportes públicos devido ao projeto apresentado pelo Governo que visa reformar o sistema de pensões no país.
Na circulação dentro da cidade, que tem atualmente apenas duas linhas de metro a funcionar das 14 existentes, há alternativas - como bicicletas, trotinetes elétricas ou até mesmo patins -, mas para quem se desloca para os arredores da cidade, as opções são limitadas.
Phillipe, tal como Christelle, também já acusa a fatiga. Acabado de perder um comboio para Villeneuve-Saint-Georges, uma cidade a cerca de 20 quilómetros de Paris, e com o próximo a passar daí a meia-hora - o tráfego normal seria de 10 em 10 minutos - este francês pensa que está na altura de a greve acabar.
"A partir da próxima semana vai ser um inferno. Eu percebo que as pessoas façam greve para defender as suas pensões. Mas a um certo momento é preciso parar e esse momento, para mim, já chegou. Cabe agora ao Governo tirar as lições de tudo o que se tem passado", afirmou.
Apesar dos comboios cancelados, férias adiadas e dificuldades de mobilidade no dia-a-dia, segundo uma sondagem publicada esta semana pelo jornal "Le Figaro" e pela rádio France Info, 61% dos franceses estão ao lado dos grevistas e 75% dos inquiridos consideram mesmo que o Governo deveria retirar o projeto de reforma do sistema de pensões.
No entanto, no dia-a-dia, a situação está a tornar-se insustentável. "As pessoas estão cansadas, mas há também violência. Já vi comportamentos que não são nada corretos e, especialmente à noite, as pessoas estão ainda mais exaustas e é um inferno. A mim faz-me medo", indicou Christelle, que vive em Vigneux, e tem optado pelo teletrabalho por receio da violência nos transportes.
A região Ile-de-France, que inclui Paris e os seus arredores, tem 12 milhões de habitantes e pelo menos um quarto tem passe mensal dos transportes públicos, números que explicam a sua saturação, nomeadamente dos comboios regionais, que no último mês têm circulado apenas às horas de ponta.
Mas não são só os passageiros que sofrem as consequências deste mês de greve consecutiva. Também os comerciantes, especialmente os pequenos estabelecimentos, se estão a ressentir.
"Há mais de um ano que os pequenos comerciantes estão em grandes dificuldades. Começou com os coletes amarelos, que retiraram as pessoas das ruas aos sábados e causaram também danos em muitas lojas. E agora com a greve, é muito difícil que os proprietários e os seus empregados cheguem aos seus postos de trabalho", afirmou Jonathan Chelet, cofundador da empresa Petits Commerces, que ajuda os pequenos comércios a desenvolverem a sua atividade.
Para Jonathan Chelet, nem tudo é negativo, devido às dificuldades de mobilidade, muitos parisienses e habitantes de grandes cidades de França optaram por comprar localmente e o facto de as pessoas se deslocarem a pé levou a que comprassem mais em lojas junto às suas casas e ao seu trabalho.
No entanto, o Governo já lançou linhas de ajuda aos comerciantes em dificuldade alongando os prazos de pagamentos de impostos e apelando aos bancos à tolerância nas cobranças e disponibilidade de linhas de crédito para estes pequenos negócios. As perdas não se ficam por aí, com o setor da hotelaria e da restauração a estimar perdas que rondam os 700 milhões de euros no último mês.
Mesmo com a tentativa de conciliação do Presidente Emmanuel Macron na mensagem de Ano Novo, quando este afirmou que queria "um compromisso rápido" com os sindicatos, a sua insistência em levar o projeto de reformas das pensões até ao fim não impressionou os sindicatos, que apelaram a novas jornadas de greve geral nos dias 9 e 11 de janeiro.
Assim, e por enquanto, a greve vai continuar em França.
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