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Correio da Manhã

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Pároco católico condenado por genocídio no Ruanda

O Tribunal Penal Internacional para o Ruanda (TPIR), em Arusha, na Tânzania, considerou culpado de genocídio e de crimes contra a humanidade o pároco católico ruandês Athanase Seromba, a quem condenou a uma pena de 15 anos de prisão.
13 de Dezembro de 2006 às 12:49
A sentença foi confirmada esta quarta-feira pelo porta-voz daquele tribunal, Bocar Sy.
Seromba é o primeiro pároco pertencente à Igreja Católica a ser condenado por acusações de genocídio perante um tribunal internacional. O TPIR considerou Seromba culpado das acusações de genocídio e de crimes contra a humanidade na modalidade de extermínio tendo, no entanto, absolvido o pároco da acusação de conspiração para cometer genocídio.
Em 1994, o condenado era responsável pela paróquia de Nyange, na localidade de Kivumu, na província ocidental de Kibuye. Mais de duas mil pessoas que fugiam aos massacres, na sua maioria pertencentes à comunidade tutsi, refugiaram-se naquela igreja, que a partir de 15 de Abril foi alvo de ataques regulares por parte de militares e milícias 'Interahamwe'.
De acordo com as autoridades, o pároco ordenou o derrube da paróquia com máquinas escavadoras, conduzindo à morte dos poucos sobreviventes que ali se refugiavam.
Entre 500 mil e um milhão e tutsi e hutus moderados, de acordo com diferentes fontes, morreram durante os massacres executados pelas milícias extremistas, soldados e a própria população civil durante o genocídio do Ruanda. Muitas das vítimas morreram no interior das igrejas em que procuravam refúgio.
Seromba, de 42 anos, encontrava-se acolhido desde 1997 na diocese italiana de Florença. O religioso entregou-se voluntariamente ao tribunal a 7 de Fevereiro de 2002, depois de uma intensa pressão exercida pela então responsável do TPIR, Carla del Ponte, sobre as autoridades católicas.
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