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Correio da Manhã

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Partido Trabalhista confirma candidatura de Lula da Silva à presidência

"Não existe Plano B, não existe Plano C, o que existe é Lula livre", diz Paulo Pimenta.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 4 de Agosto de 2018 às 22:52
Lula está detido desde abril para cumprir uma pena de prisão de 12 anos
Lula da Silva
Juíza autoriza Lula da Silva a receber dois amigos por semana na prisão
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O Partido dos Trabalhadores confirmou na tarde deste sábado, em convenção nacional, a candidatura do ex-presidente Lula da Silva às presidenciais do próximo mês de Outubro. Condenado a 12 anos de cadeia por corrupção e estando preso desde 7 de Abril para cumprir a pena, Lula está teoricamente inelegível, mas o partido defende que, mesmo assim, pode disputar a presidência do Brasil. Lula diz acreditar que a sentença ainda poderá ser revista e anulada por um tribunal superior.

"Viemos aqui para votar no nosso candidato a presidente, Lula. Este é um momento histórico. É o nosso candidato à presidência da República", afirmou a presidente do partido trabalhista, Gleisi Hoffmann.

"O Brasil nunca precisou tanto do Lula. O que está em jogo é muito mais do que uma eleição presidencial. Não existe Plano B, não existe Plano C, o que existe é Lula livre, candidato e presidente"disse Paulo Pimenta, líder do partido no Congresso.

A certa altura da convenção, todos os presentes, delegados do partido, representantes de movimentos sociais e convidados, ficaram de pé e colocaram sobre o rosto uma máscara de Lula. Depois, em uníssono, reafirmaram o apoio ao antigo presidente, ao gritar "eu sou Lula".

Pela chamada Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de arguidos já condenados em segunda instância, o antigo chefe de Estado está inelegível e não pode disputar a presidência ou qualquer outro cargo. Mas o partido, além de considerar que a condenação de Lula é ilegal, fruto de uma suposta conspiração para o tirar da disputa presidencial, defende que, mesmo condenado e preso, ele pode concorrer enquanto não se esgotam os recursos judiciais.

Juristas especializados em disputas eleitorais contratados pelo partido trabalhista reuniram uma enorme lista de outros casos em que candidatos condenados em segunda instância foram autorizados a participar em eleições. Segundo esses juristas, há farta jurisprudência que permite a Lula, mesmo inelegível no momento mas tendo ainda recursos a instaurar, disputar as presidenciais, tendo até à data da diplomação, em Dezembro, para tentar reverter a condenação.

Outros candidatos 
Num dia em que boa parte dos partidos brasileiros realizaram as suas convenções nacionais, vários candidatos à presidência tiveram os seus nomes confirmados. Entre eles o antigo governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e a ex-ministra do Ambiente e ex-senadora Marina Silva.

Geraldo Alckmin teve a sua candidatura confirmada na convenção do seu partido, o Partido da Social Democracia Brasileira, que fez com outros partidos a até agora maior coligação destas presidenciais. Inclusive com o chamado "Centrão", partidos de centro-direita que estão sempre ligados ao poder independentemente de quem o ocupe, trocando apoio ao governo por verbas e cargos, e que depois de apoiarem Dilma Rousseff passaram a apoiar Michel Temer, que a derrubou em 2016 com um polémico processo de impeachment.

Marina Silva, que já por duas vezes foi candidata à presidência e ficou em ambas na terceira colocação, teve o seu nome referendado pelo seu pequeno partido, a Rede Sustentabilidade. Até esta semana a Rede não tinha feito coligação com nenhum outro partido e Marina ia para a disputa presidencial com apenas alguns segundos de propaganda na rádio e na televisão, mas acabou por fazer um acordo com o Partido Verde, a que já pertenceu, aceitando a indicação da entidade para seu vice e aumentando, mesmo que apenas ligeiramente, o seu tempo de exposição nos media durante a campanha. 

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