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Partidos compram votos em São Tomé

Os locais chamam-lhe ‘banho’ e encaram a prática como uma coisa sem grande gravidade.
10 de Outubro de 2014 às 12:52

A prática é antiga e é conhecida por ‘banho’. Nas campanhas eleitorais, a maioria dos partidos são-tomenses dá dinheiro à população para comprar votos. Normalmente são mulheres que trazem as notas numa bolsa. Distribuem, por pessoa, 100 mil a 150 mil dobras, entre 4 e 6 euros. "Este ano já recebi de três partidos, mas voto no que quero", disse ao CM um jovem de 26 anos. "Aceito o dinheiro, mas não deixo que comprem a minha consciência", frisa  o homem, que pediu para não ser identificado. Os relatos de compra de votos são frequentes. "Já vi uma ex-ministra da Defesa a distribuir dinheiro", adiantou.


Durante um comício do MLSTP/PSD em Trindade, o Correio da Manhã testemunhou três momentos em que mulheres distribuíam notas. No final do discurso, Osvaldo Vaz, líder do partido, admitiu: "É um ato que nos pode envergonhar. Gostaria que não acontecesse". Rafael Branco, líder do recém-criado PEPS, sublinha que é prática comum, mas não no seu partido. "Nem sequer tenho assessor, porque isso custava-me um dia de campanha", disse. "Quero acreditar que as pessoas não votam nos partidos só porque lhes dão dinheiro, senão estou tramado", rematou.

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