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Pastor defende que Covid-19 "não existe" e recusa fechar templo no Brasil por "só receber ordens de Deus"

Cerca de 60 fiéis aglomeraram-se e protegeram religioso no momento em que as autoridades tentavam prendê-lo.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 1 de Agosto de 2020 às 16:56
Coronavírus Brasil
Coronavírus Brasil FOTO: Reuters

Num novo episódio que retrata bem a dificuldade das autoridades em fazer respeitar medidas de isolamento e distanciamento físico decretadas para tentar conter o avanço do coronavírus, o pastor de um templo evangélico na cidade de Campo Grande, capital do estado brasileiro de Mato Grosso do Sul, teve um acesso de fúria ao ser apanhado pela polícia municipal a celebrar um culto durante o toque de recolher obrigatório decretado contra o avanço da pandemia, que na região está sem controle. O pastor recusou fechar o templo, ofendeu os agentes e, ao receber um auto de infração por ter violado o toque de recolher, rasgou o documento, para delírio das dezenas de seguidores aglomerados no local.

Em tom desabrido, segundo relato dos agentes da Guarda Civil Metropolitana, o pastor gritou que a Covid-19 não existe, nunca existiu, foi uma invenção, repetindo a postura adotada desde o início da pandemia por líderes das confissões religiosas evangélicas e pelo próprio presidente Jair Bolsonaro. E acrescentou que quem manda no templo é Deus, e que só fecharia o local se recebesse uma ordem Dele e não do governador do estado, do autarca da cidade ou da justiça.

Como se não bastasse, o religioso começou a ofender os agentes, chamando-os de corruptos, ladrões e assaltantes, e afirmando que os representantes da lei tinham ido ali para lhe extorquirem dinheiro. Perante a resistência do pastor e as ofensas que ele proferiu, os guardas deram-lhe voz de prisão mas não conseguiram prendê-lo, pois os cerca de 60 fiéis que se aglomeravam no templo e cujos ânimos se foram exaltando enquanto o religioso bradava, cercaram-no e protegeram-no até ele deixar o local.

Numa medida que provocou muita polémica, logo no início da pandemia o presidente Jair Bolsonaro, um negacionista ferrenho da gravidade do coronavírus apesar de a Covid-19 já ter morto no país mais de 92 mil pessoas, assinou um decreto classificando templos religiosos como atividades essenciais, como farmácias e hospitais, permitindo a sua abertura mesmo nas cidades onde tivesse sido decretada quarentena. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, reconheceu aos governadores de estado e aos autarcas das cidades brasileiras o direito de seguirem ou não a diretriz presidencial e de decretarem o que pode ou não abrir nas regiões que governam.
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