EasyJet disse que continua a acompanhar o caso, mas que ainda aguardava novidades.
Pelo menos 40 dos cerca de 130 passageiros afetados continuam na ilha da Boa Vista, em Cabo Verde, três dias depois do cancelamento de um voo da EasyJet para o Porto, em Portugal, ainda sem confirmação oficial sobre o regresso.
"Só aqui no hotel Riu Karamboa estamos mais de 40. Existirão mais noutros hotéis", disse à Lusa Jerónimo Velasco, de 61 anos, de nacionalidade portuguesa, que viajava com a mulher e dois filhos.
Segundo o passageiro, foi informado na quinta-feira que existiria um voo de regresso a Portugal em 01 de setembro, mas a informação foi transmitida apenas através de mensagens reencaminhadas pelas agências de viagens.
"Não temos nenhum documento oficial a confirmar isso. Apenas mensagens reencaminhadas pelas agências de viagens", afirmou.
Jerónimo Velasco disse que a operadora 'NewBlue' assumiu na quinta-feira as despesas de alojamento e garantiu a estadia dos passageiros até terça-feira.
O passageiro criticou, contudo, a falta de informação desde o cancelamento do voo, afirmando que, até quinta-feira, não tinha recebido uma resposta direta da EasyJet nem do operador sobre o regresso.
"Não ofereceram alternativas, nem se responsabilizaram por nenhuma despesa com viagem de regresso a Portugal", afirmou.
Velasco, que é advogado, disse que o cancelamento o levou a faltar a uma audiência judicial na quarta-feira e que a mulher e os filhos têm compromissos profissionais a partir de 31 de agosto.
O passageiro referiu ainda dificuldades relacionadas com a medicação habitual, afirmando que ficou sem o medicamento que toma diariamente para a tensão arterial e que está a tentar, através do médico, encontrar uma alternativa, uma vez que o medicamento que utiliza não estará disponível em Cabo Verde.
O voo EJU6872, da Boa Vista para o Porto, estava previsto para terça-feira, 25 de agosto, mas foi cancelado.
Na quarta-feira, Abel Fernandes, de 32 anos, de nacionalidade portuguesa, que estava de férias na Boa Vista, disse à Lusa que cerca de 130 pessoas tinham sido afetadas pelo cancelamento.
Segundo o passageiro, alguns viajantes receberam uma mensagem da companhia na noite de segunda-feira a informar que o voo tinha sido cancelado.
Os passageiros contactaram as respetivas agências de viagens em Portugal, que começaram a procurar alternativas, enquanto na Boa Vista aguardavam informações sobre a situação.
"Alguns colegas conseguiram, com as agências de Portugal, alterar os voos e viajar através de escalas", contou Abel Fernandes, acrescentando que ele e os dois acompanhantes conseguiram uma alternativa com destino a Londres, onde se encontravam na quarta-feira, com regresso ao Porto na quinta-feira.
Em esclarecimentos à Lusa, a EasyJet explicou que a aeronave prevista para operar a rota ficou retida, no dia anterior, em Basileia, na Suíça, devido a restrições do controlo de tráfego aéreo na sequência de condições meteorológicas adversas na Europa Central.
A companhia afirmou que aos passageiros foi oferecida a possibilidade de serem transferidos gratuitamente para o voo seguinte disponível ou de receberem um reembolso integral.
Acrescentou que os passageiros que tenham tomado medidas alternativas por sua conta serão reembolsados por despesas razoáveis e que foram prontamente informados sobre as opções disponíveis.
A companhia disse ainda que não consegue precisar quantos passageiros permanecem na Boa Vista, uma vez que alguns poderão ter recorrido a outras companhias aéreas para sair da ilha.
Contactada novamente pela Lusa esta sexta-feira sobre a situação, a EasyJet disse que continua a acompanhar o caso, mas que ainda aguardava novidades.
"Sobre o número de passageiros, será sempre complicado estimar uma vez que qualquer passageiro pode optar por outras companhias aéreas ou alternativas para sair. Mas continuamos a acompanhar de perto e a monitorizar a situação", referiu.
A EasyJet iniciou a operação em Cabo Verde em outubro de 2024, com ligações entre Lisboa e o Porto e a ilha do Sal, tendo alargado a operação, em outubro de 2025, à Boa Vista, Praia e São Vicente.
O turismo é um dos principais motores da economia cabo-verdiana. O país recebeu 1,2 milhões de hóspedes em 2025, mais 6% do que no ano anterior.
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