Pacientes foram retirados e transferidos para outras unidades hospitalares.
O incêndio que destruiu a ala de cirurgia e de armazenamento de oxigénio do Hospital Geral do Cunene foi antecedido, três horas antes, de um curto-circuito no teto de uma das enfermarias, informaram fontes hospitalares e bombeiros.
Segundo a diretora provincial de Saúde do Cunene, Graciete Nunes, nenhum dos mais de 200 pacientes que se encontravam na unidade hospitalar sofreu consequências diretas do incêndio, tendo sido todos distribuídos pelos três centros de saúde da província.
Graciete Nunes, que falava esta terça-feira à agência Lusa, lamentou a morte de um paciente, que faleceu já no local para onde tinha sido transferido.
"O hospital tem capacidade para 200 camas, mas normalmente há sempre mais do que isso, às vezes temos corredores com doentes e tudo isso. Não posso precisar [quantos estavam internados], mas mais de 200 pacientes", disse a diretora, referindo que foi atingido todo o bloco operatório e as enfermaria do serviço de cirurgia.
Instada a comentar os relatos de pacientes que dão conta de um problema elétrico antes de o incêndio ter deflagrado, Graciete Nunes disse que aconteceu "três horas antes do incêndio maior".
"Houve um curto-circuito a partir do teto de uma enfermaria e chamou-se os bombeiros, eles vieram e viram a situação. Não foi nada de mais, inclusive como não havia luz nos serviços de cirurgia veio a ENDE (Empresa Nacional de Distribuição de Energia) que também viu a situação e só depois de três horas é que se deu esse incêndio maior", explicou.
"Por uma questão de precaução", os doentes foram retirados e colocados nos corredores do hospital, adiantou a responsável.
Em declarações à imprensa, o comandante provincial do Serviço de proteção Civil e Bombeiros, Paulo Calunga, rejeitou ter havido negligência relativamente a este sinal, confirmando a presença dos bombeiros no local três horas antes do incêndio.
"Estivemos aqui às 18:00, fizemos a intervenção que era necessária e estancamos a situação. Naquela altura, só tinha abrangido a zona de cirurgia, nós fizemos tudo que estava ao nosso alcance, tudo que era necessário ser feito, foi feito, e a posteriori comunicaram-nos que, por volta das 21:45, o incêndio tinha reativado, mas nesta altura já nessa zona do bloco", frisou.
Questionado porque é que os bombeiros não se mantiveram no local, Paulo Calunga justificou que depois daquela intervenção, os níveis de alerta tinham baixado e, por isso, não fazia sentido deixar lá os bombeiros "para evitar o pânico".
"Fomos [embora] e ficámos quase três horas sem nenhuma ocorrência", sublinhou.
A diretora provincial de Saúde do Cunene disse que as equipas médicas estão a trabalhar por especialidades nos três centros hospitalares para onde foram transferidos os doentes.
"A única coisa é que se tivermos um problema de urgência para o bloco operatório teremos que ver a situação, mas está tudo mais calmo", disse.
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