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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Pequim acusa EUA de saque económico contra Taiwan com pressões sobre TSMC

Declarações surgem após Taiwan ter confirmado consenso com Washington para concluir um acordo que incluiria a redução de tarifas sobre alguns produtos da ilha.

14 de janeiro de 2026 às 08:38

Pequim acusou esta quarta-feira Washington de levar a cabo um "saque económico" contra Taiwan, através da imposição de tarifas e da pressão sobre a TSMC, maior fabricante de semicondutores mundial, para aumentar o investimento nos EUA.

Em conferência de imprensa, a porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhu Fenglian, reagiu à possibilidade de um acordo comercial entre Washington e Taipé, noticiada pelo jornal New York Times, classificando-o como "um ato de espólio económico" que usa as taxas alfandegárias como alavanca para "esvaziar a base industrial" da ilha.

Zhu acusou os EUA de quererem transformar Taiwan "numa peça" da sua estratégia industrial, enquanto criticou o Partido Democrático Progressista (PDP), no poder em Taipé, por alegadamente ceder à pressão de Washington.

Segundo a porta-voz, a aceitação de uma possível redução de tarifas em troca da transferência de capacidades tecnológicas da TSMC para os EUA colocaria em risco o desenvolvimento económico de longo prazo da ilha e prejudicaria a população.

As declarações surgem após o Governo taiwanês ter confirmado um "consenso geral" com Washington para concluir um acordo que incluiria a redução de tarifas de 20% para 15% sobre alguns produtos da ilha, bem como novos compromissos de investimento da TSMC nos EUA -- ponto que as autoridades de Taipé não detalharam.

Em agosto passado, os EUA impuseram tarifas de 20% sobre produtos oriundos de Taiwan, com exceção dos semicondutores e dispositivos eletrónicos. O anúncio levou a um processo negocial no qual Taiwan tenta obter um regime tarifário preferencial.

Paralelamente, a TSMC anunciou planos para aumentar o volume de investimento nos EUA até 165 mil milhões de dólares (141 mil milhões de euros). A empresa opera já uma fábrica de semicondutores no Arizona e prevê iniciar a produção em massa numa segunda unidade em 2027.

Pequim considera Taiwan uma "parte inalienável" do seu território e não exclui o uso da força para concretizar o que considera ser a 'reunificação' com a ilha, um dos objetivos estratégicos traçados pelo Presidente chinês, Xi Jinping, desde que assumiu o poder, em 2012.

Taiwan, governada desde 2016 pelo PDP, partido com tendência pró-soberania, defende que é, de facto, um país independente e que o futuro da ilha só pode ser decidido pelos 23 milhões de habitantes.

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