Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
4

PERDÃO A REBELDES

Quase uma semana volvida desde que assumiu o poder em Bagdad, o primeiro-ministro do Iraque, Iyad Allawi, parece disposto a jogar a sua primeira grande cartada, com um seu porta-voz, Georges Sada, a anunciar que o governo poderá conceder, já hoje, uma amnistia aos rebeldes seguidores de Saddam Hussein.
5 de Julho de 2004 às 00:00
A amnistia poderá mesmo abranger os que, perpetraram ataques contra as tropas dos EUA. Aliás, aquele responsável insinuou que os ataques contra militares norte-americanos foram de algum modo legítimos actos de resistência contra as forças da coligação, num sinal de que o governo deseja ‘distanciar-se’ dos últimos 14 meses de ocupação do território iraquiano.
“Se eles [a guerrilha] estiveram na oposição contra os americanos tal pode justificar-se porque foi uma ocupação forçada. Nós conceder--lhes-emos a amnistia”, declarou Sada. Refira-se, no entanto, que a amnistia não abrangerá todos os guerrilheiros. Segundo Sada, apenas beneficiarão dela os rebeldes ligados à resistência mas que não estiveram envolvidos em actos terroristas contra civis inocentes. “O governo chegou à conclusão que muitos iraquianos, entre os que não têm meios para sobreviver, os que abandonaram o Exército ou perderam os seus empregos foram obrigados, contra a sua vontade, a juntarem-se à resistência” – explicou o porta-voz de Allawi, acrescentando: “O Estado assumirá o compromisso de lhes dar emprego para que se possam iniciar na nova vida na sociedade iraquiana. Os que não aproveitarem esta ocasião serão severamente punidos”.
Aquele responsável sublinhou, no entanto, que a amplitude da amnistia ainda está a ser estudada. De facto, apesar de Washington poder eventualmetne concordar com o perdão aos seguidores de Saddam por forma a abafar a rebelião sunita a partir do Triângulo de Tikrit, duvida-se que os estrategas da Casa Branca concordem com a eventual entrada na esfera do novo poder em Bagdad de figuras gradas ligadas ao ex-ditador.
IRÃO 'AVANÇA'
Amnistiar fiéis de Saddam poderá, aliás, ser um incentivo para os advogados de defesa do ex-presidente, que está a ser julgado por crimes de guerra e crimes contra a Humanidade. Ontem, o governo iraniano fez saber que está a preparar um processo contra o arguido, acusando-o de ter ‘lançado’ a guerra contra o Irão, em 1980, e ter usado armas químicas, que provocaram a morte de milhares de pessoas.
A estabilidade no Iraque é ainda uma miragem. Ontem, três pessoas, entre os quais um ‘suicida’, morreram em mais uma tentativa de ataque com uma viatura armadilhada contra um posto da guarda nacional em Baquba, 600 quilómetros a norte de Bagdad.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)