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Correio da Manhã

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Peregrinos enfrentam fome e assaltos no Rio de Janeiro

Jovens de todo mundo têm sofrido todo o tipo de agruras para participarem na Jornada Mundial da Juventude.
27 de Julho de 2013 às 19:59
Peregrinos chegam ao Rio de Janeiro provenientes dos quatro cantos do mundo movidos pela sua Fé
Peregrinos chegam ao Rio de Janeiro provenientes dos quatro cantos do mundo movidos pela sua Fé FOTO: EPA

Tendo saído dos quatro cantos do mundo movidos pela sua Fé e na esperança de participarem num dos momentos mais bonitos da Igreja Católica e das suas vidas, muitos dos mais de 350 mil peregrinos de 175 países descobriram a duras penas que, afinal, a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Rio de Janeiro lhes reservava um verdadeiro calvário pessoal. Jovens do mundo todo têm sofrido todo o tipo de agruras, que só mesmo a Fé os ajuda a suportar.

O presumivelmente fantástico esquema montado pela organização da JMJ e pelos governos central do Brasil e municipal e estadual do Rio para receber jovens de todo o Planeta, só tem de fantástica e surpreendente a capacidade de desorganização, de desinteresse e de desrespeito a quem atravessou o mundo para estar no Rio. No que depende do poder público, nada tem funcionado, nem segurança, que deixou até o Papa vulnerável à chegada, nem transportes, nem alimentação.

O metropolitano, que logo no primeiro dia de um grande evento, terça-feira, parou por duas horas por alegada falta de energia, é um sufoco diáro. Os comboios não suportam tanta gente, até porque não houve reforço de composições, e os peregrinos vão espremidos nas carruagens, correm risco nas plataformas e enfrentam muita dificuldade até para entrar nas estações.

Na quinta-feira, por exemplo, após uma missa rezada pelo Papa Francisco na Praia de Copacabana, a fila para entrar numa das estações que serve o bairro era tão extensa que acabou por se juntar com a fila da estação seguinte, que fica a mais de um quilómetro.

O número de autocarros também não foi reforçado, sem que o presidente da cãmara carioca, Eduardo Paes, se digne explicar porquê, e, após cada evento, os peregrinos enfrentam longas esperas nas paragens, às vezes de várias horas, ou desgastantes caminhadas pelas ruas sem sinalização da chamada 'Cidade Maravilhosa'. Também na quinta-feira, peregrinos tomavam por volta das 20h30 todas as pistas de várias avenidas de Copacabana e as oito pistas do túnel que liga os bairros de Copacabana e Botafogo, porque a câmara municipal, num absurdo desinteresse, não bloqueou as vias no final do evento e carros e pessoas disputavam perigosamente o espaço.

Nessas longas caminhadas de quilómetros numa cidade desconhecida, inúmeros peregrinos já foram assaltados, ficando sem as máquinas fotográficas, carteiras, fios de ouro e outros valores que tinham com eles no momento. Para tentar evitar novos assaltos, jovens começaram a organizar-se em grupos grandes, pois ver um polícia pelas ruas do Rio de Janeiro nesta época em que a cidade recebe visitantes do mundo inteiro é ainda mais difícil do que em dias normais, apesar de a presidente Dilma Rousseff, de quem depende o Exército, e o governador do estado do Rio, Sérgio Cabral Filho, de quem depende a polícia, terem garantido que mais de 30 mil agentes e militares fazem a segurança da Jornada Mundial da Juventude, fora os do patrulhamento normal.

Outra situação desgastante é a hora de comer. Como pouco mais de 150 bares e restaurantes, dos muitos milhares existentes no Rio, aderiram ao convite da organização para fornecerem refeições a preços mais acessíveis, os poucos que foram credenciados estão tão abarrotados durante o dia inteiro que a espera por um almoço ou jantar chega a ser de três horas. Fora desses estabelecimentos conveniados, comer é verdadeiramente proibitivo para os jovens estrangeiros, que na sua maioria chegaram ao Brasil com pouco dinheiro depois de pagarem a viagem, pois grande parte dos restaurantes, tal como os hotéis, subiram os preços, tentando aproveitar o grande fluxo de pessoas na cidade para ganharem ainda mais, na total contramão do espírito de solidariedade de milhares de habitantes anónimos, que acolheram de graça nas suas casas jovens de outras partes do mundo que foram participar na grande jornada de fé.

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