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Larry King: O homem que não quis ser jornalista, entrevistou todos os famosos do mundo e casou oito vezes

Apresentador morreu aos 87 anos em Los Angeles com Covid-19.
Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 23 de Janeiro de 2021 às 15:48
Larry King com Hillary Clinton
Larry King
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Larry King com Hillary Clinton
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Larry King
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Larry King
Larry King

Quando a RCA lançou o seu extraordinário microfone 77-D, em 1954, Larry King, então com 21 anos, ainda não era um ícone da comunicação global. Celebrizado por 25 anos de "Larry King Live", na CNN, o RCA77-D pousado na mesa e os suspensórios transformaram-se nas imagens de marca de um apresentador que nunca quis ser jornalista.

A relutância tinha uma razão. Larry admitiu que não era um estudioso das personagens que entrevistava e, mesmo assim, falou com todos os famosos do mundo.

Nascido em 1933 em Nova Iorque, EUA, morreu este sábado em Los Angeles. Em agosto do ano passado, Larry King enterrou dois dos seus 5 filhos. Andy, de 65 anos, morreu de ataque cardíaco e Chaia, de 52 anos, perdeu a vida pouco tempo depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro do pulmão. Então, nas redes sociais, o pai King escreveu que "perdê-los parece antinatural. Nenhum pai deveria enterrar um filho".

Larry King começou na rádio no estado da Flórida, corria a década de 50 do século passado, mas foi bem mais tarde, em 1978, que começou a ser falado. O sucesso do seu ‘talk show’, onde misturava entrevistas aos convidados com os telefonemas do auditório, foi meteórico.

O salto para a televisão de sucesso foi em 1985, na então jovem e inovadora CNN, de Ted Turner. No canal de cabo global, King mantinha dois estúdios. Um em Los Angeles, onde morava e morreu, e outro, minúsculo, na delegação do canal em Washington DC. Deixou a CNN em 2010 com uma emblemática imagem dos suspensórios pendurados na cadeira do estúdio. Seria a retirada para sempre? Só para quem não conhecesse Larry King. O apresentador reapareceu três anos depois com estrondo e polémica.

Em junho de 2013 criou o "Politicking", na plataforma de ‘streaming’ Ora, que ajudou a fundar, retransmitido pelo canal russo RT, um instrumento de propaganda de Moscovo. Foi no Ora que King entrevistou Morgan Freeman, uma conversa durante a qual o ator revelou a sua amizade com Obama e o seu gosto pela marijuana. É uma entrevista de antologia, idêntica à que o mesmo King fez à estrela cinematográfica, em decadência, Marlon Brando, e que acabou com um beijo na boca entre ambos.

Larrry King morreu aos 87 anos, com Covid-19, depois de uma vida de oito casamentos com sete mulheres e cinco filhos. Divorciou-se em 2019 de Shawn Southwick, com quem esteve casado durante 22 anos. Em 2017 King foi acusado de assédio por uma antiga modelo. A acusação não foi provada e o caso não chegou a tribunal.

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