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Correio da Manhã

Mundo
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Périplo da paz

O presidente dos EUA inicia hoje em Bruxelas o périplo da reconciliação com a Europa, após a crise iraquiana, inaugurando uma nova página das relações transatlânticas com a mensagem dos valores partilhados e objectivos comuns. Será o primeiro líder norte-americano a visitar instituições da União Europeia, o que tem um valor simbólico importante. Mas disfarçar as diferenças será missão quase impossível porque sobre a mesa estarão temas tão quentes e polémicos como o Irão, a China e a Síria.
20 de Fevereiro de 2005 às 00:00
A agenda de George W. Bush não foi divulgada, mas fonte da sua administração adiantou que o presidente irá insistir na necessidade de apoiar os iraquianos após as eleições e de ajudar os palestinianos a travar a violência anti-israelita e a construir instituições democráticas.
Nestas duas questões não haverá fricções, já que os que foram contra a guerra com o Iraque aceitaram apoiar o país e a União Europeia disponibilizou-se para treinar as forças de segurança iraquianas, formar juízes e ajudar na redacção da Constituição do país.
Quanto ao conflito israelo-palestiniano, Bush mostrou-se, por sua vez, disposto a trabalhar com os europeus na procura da paz.
Os problemas surgirão designadamente com a questão iraniana, em relação a qual persistem divergências de fundo. Londres, Paris e Berlim estão a negociar um acordo com Teerão, a quem oferecem contrapartidas comerciais e económicas em troca da suspensão do programa nuclear, mas Washington pretende uma abordagem mais musculada, incluindo ameaças de sanções. Os europeus já cederam neste ponto, mas acusam os EUA de não manifestarem um apoio mais explícito.
Divergências existem também em relação ao levantamento do embargo de armas à China, que os europeus defendem com veemência e os americanos rejeitam liminarmente porque isso iria perturbar o equilíbrio militar entre Pequim e Taiwan.
Mais espinhosa ainda parece a questão síria, que deverá figurar na agenda de Bush. Após o atentado que matou o ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, a Casa Branca exige firmeza contra Damasco para a retirada das 14 000 tropas que mantém no Líbano, mas os europeus estão apostados numa aproximação comercial.
Apesar das diferenças, EUA e UE estão condenados a entender-se até porque são os maiores parceiros económicos do Mundo.
Por isso, hoje Bush vai manter encontros com líderes europeus e oferecer um jantar ao seu homólogo francês, Jacques Chirac, para enterrar de vez o machado de guerra. Hoje reúne-se com Jaap Scheffer, secretário-geral da NATO, que vai prolongar a sua presença no Afeganistão. Amanhã será a vez do seu aliado Tony Blair e, na quarta-feira, estará com o chanceler alemão, Gerhard Schroeder. Na quinta tem encontro marcado em Bratislava com o presidente russo, Vladimir Putin, a quem tentará tranquilizar em relação à influência sobre a Ucrânia.
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