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Correio da Manhã

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Perpétua para líder do Sendero Luminoso

O antigo líder do grupo maoísta peruano Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, foi ontem condenado a prisão perpétua por terrorismo, na repetição do julgamento de toda a cúpula do movimento.
15 de Outubro de 2006 às 00:00
O líder do Sendero Luminso, Abimael Guzmán, faz a tradicional saudação comunista ao conhecer a sentença
O líder do Sendero Luminso, Abimael Guzmán, faz a tradicional saudação comunista ao conhecer a sentença FOTO: Mariana Bazo, Reuters
Guzmán – ou ‘camarada Gonzalo’, como era conhecido no movimento – assistiu tranquilo à leitura da sentença, e a sua única reacção foi erguer o punho no ar, na tradicional saudação comunista. O líder maoísta, de 71 anos, foi condenado por terrorismo agravado e homicídio qualificado, sentença idêntica à de Elena Iparraguirre, sua companheira sentimental e n.º 2 do Sendero Luminoso.
Outros dez membros da cúpula ‘senderista’ foram condenados a penas entre os 25 e os 35 anos de prisão e a pagar um total de 894 milhões de euros em indemnizações às vítimas da guerrilha, incluindo mais de 61 mil euros aos familiares de cada uma das vítimas do famigerado massacre de Lucanamarca, no qual as forças do Sendero Luminoso assassinaram a sangue-frio 69 camponeses inocentes, incluindo duas dezenas de crianças, em 1983. Numa entrevista publicada em 1988, Guzmán afirmou que o principal objectivo do massacre foi “mostrar ao governo que o Sendero estava preparado para fazer o que fosse preciso”.
CRIAR ESTADO COMUNISTA
O objectivo do Sendero Luminoso era criar pela força das armas um estado comunista no Peru, o que tentou fazer através de uma série de sangrentos massacres, atentados à bomba e assassinatos selectivos de políticos e militares durante os anos 80. Calcula-se que durante a guerra entre o Sendero e as forças governamentais terão perdido a vida mais de 30 mil pessoas, na sua maioria civis.
Abimael Guzmán foi capturado a 12 de Setembro de 2002, nos subúrbios de Lima, e tinha já sido condenado a prisão perpétua por um tribunal militar, mas a sentença foi mais tarde declarada inconstitucional, pelo que o julgamento teve de ser agora repetido num tribunal civil. Durante o julgamento, que durou um ano, foram ouvidas dezenas de testemunhas, incluindo sobreviventes de alguns dos piores massacres cometidos pelo grupo.
PERFIL
O culto da personalidade, a vontade de destruição do ‘Velho Estado’ e a violência eram as principais características do Sendero Luminoso, grupo que Abimael Guzmán fundou em 1979 e do qual era o principal ideólogo.
Nascido a 3 de Dezembro de 1934, no seio de uma família burguesa, abraçou os ideais revolucionários nos anos 50 e aprofundou a militância na China, União Soviética e Albânia. De regresso ao Peru, foi preso várias vezes entre 1970 e 1979, altura em que passou à clandestinidade.
Gostava de se referir a si próprio como ‘a quarta espada do marxismo’ – as outras eram Marx, Lenine e Mao.
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