Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
2

Petróleo excluído de sanções ao Irão

O pacote de sanções sobre o Irão que os EUA vão propor esta semana para pôr fim à escalada nuclear daquele país não vão incluir o sector petrolífero, mas sim a congelação de bens e a restrição à deslocação internacional de responsáveis do regime de Teerão.
16 de Abril de 2006 às 00:00
Estudantes iranianas junto a uma foto do líder supremo do Irão, ayatollah Ali Khamenei
Estudantes iranianas junto a uma foto do líder supremo do Irão, ayatollah Ali Khamenei FOTO: Morteza Nikoubazl/Reuters
Esta revelação acontece no mesmo dia em que o jornal britânico ‘The Guardian’ afirma que agentes do Reino Unido participaram em 2004 num treino norte-americano para invasão da República Islâmica.
A Casa Branca fez saber que o debate sobre as sanções a adoptar com os restantes membros permanentes do Conselho de Segurança – França, Reino Unido, Rússia e China, e ainda a Alemanha, parceiro de negociações – não incluirá o sector energético “para não provocar mais dificuldades económicas ao povo do Irão”.
A ameaça da guerra continua, no entanto, a ser uma opção, como ficou patente pelas palavras de quarta-feira da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, frisando que a ONU deveria aprovar uma moção prevendo o uso da força contra Teerão.
A revelação do ‘The Guardian’ quanto a um treino de guerra em Julho de 2004 alimenta as suspeitas de que Washington planeia há muito alargar a guerra do Afeganistão e Iraque ao vizinho Irão. O jornal afirma que o treino, com nome de código ‘Hotspur’ decorreu na base norte-americana de Fort Belvoir, Virgínia, e que, embora o nome do país fictício usado para o treino fosse ‘Korona’ a descrição do mesmo e as suas fronteiras correspondiam às iranianas. A revelação parece, pois, pôr em causa o secretário dos Negócios Estrangeiros britânico, Jack Straw, que recentemente considerou impensável uma invasão do Irão.
'TERÁ O MESMO FIM DE SADDAM'
O antigo primeiro-ministro israelita Shimon Peres – actual vice-líder do partido no poder em Telavive, o Kadima – reagiu ontem às últimas declarações polémicas do presidente do Irão considerando que “terá um fim igual ao de Saddam Hussein”.
Recorde-se que o presidente Mahmoud Ahmadinejad afirmou esta semana que Israel é uma “ameaça permanente” ao mundo islâmico, mas que essa ameaça está “em vias de extinção”.
Na ausência de uma reacção oficial do governo israelita, Peres considerou ainda, a propósito das palavras do líder de Teerão, que “Ahmadinejad representa Satanás e não Deus” e considerou urgente que “todos os governos se unam contra o presidente iraniano”. “O Irão é um país membro da ONU que ameaça destruir outro país membro da organização, pelo que esta deve agir”, frisou ainda.
DESENVOLVIMENTOS
SOLIDÁRIOS
O líder da Jihad Islâmica, Ramadan Chalah, afirmou que o seu movimento apoiará o Irão contra um eventual ataque dos EUA e Israel. “Uma ameaça contra a República Islâmica é uma ameaça aos palestinianos”, afirmou.
NEGOCIAÇÃO
Moscovo é a cidade que recebe esta semana uma nova ronda de negociações entre Irão, China, União Europeia, EUA e Rússia sobre o programa nuclear que Washington considera bélico, mas Teerão insiste ser pacífico.
PROPOSTA
Washington vai defender a aprovação de sanções direccionadas para demover o Irão de prosseguir o seu programa nuclear. Os EUA querem congelar os bens iranianos e limitar as deslocações dos líderes do Irão.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)