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Correio da Manhã

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Pinochet escondeu dinheiro no Espírito Santo

O Senado dos Estados Unidos da América apurou que o antigo ditador chileno Augusto Pinochet utilizou mais de uma centena de contas em bancos a operar em território norte-americano, para esconder e 'lavar' mais de 15 milhões de dólares (cerca de 11,2 milhões de euros). Envolvido nesta rede de contas 'fantasma' está o Banco Espírito Santo da Florida, por onde 'passaram' 3,91 milhões de dólares (2,9 milhões de euros).
16 de Março de 2005 às 10:32
O relatório do Senado norte-americano sobre a rede de contas 'fantasma' de Augusto Pinochet nos EUA foi divulgado esta quarta-feira e apresentado, em conferência de Imprensa, pelo senador Carl Levibn, co-presidente da comissão de investigação.
Os senadores apuraram que Pinochet tinha 125 contas em 98 agências bancárias, em nome próprio ou em nome de familiares. Só no Citigroup, a maior empresa mundial de serviços financeiros, foram detectadas 63 contas relacionadas com Pinochet, a primeira das quais aberta em 1981, e movimentos de transferência até ao ano passado.
O relatório destaca ainda o Banco Espírito Santo da Florida, por onde passaram 2,9 milhões de euros de Pinochet entre 1991 e 2000.
O Espírito Santo da Florida é uma subsidiária do Espírito Santo de Miami e tem representações em São Paulo, Rio de Janeiro, Caracas e Montevideu. Designa-se Espírito Santo Bank (ESB) e apresenta-se como uma entidade prestadora de serviços de administração de património nas Américas.
Tal como em relação aos outros bancos assinalados no relatório hoje divulgado pelo Senado dos EUA, também o Espírito Santo recusou comentar o assunto.
O regime de Augusto Pinochet tutelou o Chile de 1973 a 1990 e a ele são atribuídos inúmeros crimes políticos de violação dos Direitos Humanos. O antigo ditador está sob pressão de diversos processos judiciais, mas os seus advogados têm conseguido evitar que seja julgado. Os seus defensores alegam que a natureza do seu regime deve ser vista à luz do contexto da Guerra Fria, mas até estes começam a vacilar face ao acumular de evidências de que Pinochet escondeu dinheiro no estrangeiro desde o início do seu regime.
Pinochet, com 89 anos de idade, conseguiu mesmo manter o seu tesouro em segredo até Julho do ano passado, altura em que a mesma comissão do Senado dos EUA encontrou 8 milhões de dólares relacionados com o antigo ditador em contas no Banco Riggs. O banco admitiu culpa, em Janeiro deste ano, e aceitou pagar 16 milhões de dólares por prácticas ilegais e, em Fevereiro, admitiu entregar 8 milhões de dólares a um fundo espanhol de ajuda aos familiares das vítimas do regime de Pinochet.
Mas até esta versão estava incompleta. Afinal, o relacionamento de Pinochet com o Banco Riggs envolveu 28 contas (e não 9) e prolongou-se ao longo de 25 anos (e não 8). As revelações hoje feitas terão, certamente, consequências judiciais para os bancos envolvidos, e comprometem ainda mais a defesa legal de Pinochet no Chile. As autoridades chilenas suspeitam que o antigo ditador desviou 17 milhões de dólares para o estrangeiro. O Senado dos EUA já encontrou 15 milhões... mas admite que pode haver ainda mais dinheiro escondido.
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