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Plano de recuperação da Europa depois da pandemia deve assentar no orçamento plurianual da UE

Presidente da Comissão Europeia assume que "coesão e a convergência serão mais importantes do que nunca".
Lusa 16 de Abril de 2020 às 11:01
Ursula Von Der Leyen
Úrsula Von der Leyen
Ursula von der Leyen
Ursula Von Der Leyen
Úrsula Von der Leyen
Ursula von der Leyen
Ursula Von Der Leyen
Úrsula Von der Leyen
Ursula von der Leyen
A presidente da Comissão Europeia insistiu esta quinta-feira que o plano de recuperação da Europa depois da pandemia da covid-19 deve assentar no orçamento plurianual da União Europeia, assumindo que "coesão e a convergência serão mais importantes do que nunca".

Num debate no Parlamento Europeu, em Bruxelas - com a esmagadora maioria dos deputados a participarem à distância -, sobre a ação coordenada da UE para combater a pandemia covid-19 e as suas consequências, Ursula von der Leyen reiterou que o 'plano Marshall' que preconiza para relançar a economia europeia deve basear-se, ainda que de forma inovadora, num instrumento já existente, o Quadro Financeiro Plurianual, o orçamento da União para cada ciclo de sete anos.

Na sua intervenção no hemiciclo de Bruxelas, Von der Leyen apontou que é necessário "também ter em mente uma outra realidade", a de garantir que todos os Estados-membros e regiões farão parte da retoma, pois, embora a atual crise seja simétrica, a recuperação não o será sem uma aposta na política de coesão.

"Precisamos de um 'plano Marshall' para a recuperação da Europa, e precisa de ser implementado imediatamente. Só temos um instrumento no qual todos os Estados-membros confiam, que já existe, que pode apresentar resultados rapidamente, que é transparente, e que já provou ao longo do tempo ser um instrumento para a coesão, convergência e investimento. E esse instrumento é o orçamento europeu. O orçamento europeu será a nave-mãe da nossa recuperação", defendeu.

Por essa razão, prosseguiu, o Quadro Financeiro Plurianual para 2021-2017 - em torno do qual os 27 ainda não chegaram a acordo -, terá de ser diferente daquilo que a Europa tinha imaginado, para dar resposta ao "investimento massivo" que será necessário para relançar as economias europeias uma vez ultrapassada a crise sanitária provocada pelo novo coronavírus.

"Usaremos o poder de todo o orçamento europeu para alavancar o enorme volume de investimento de que precisamos para reconstruir o mercado único após o coronavírus", disse.

A presidente do executivo comunitário salientou que "esta crise é diferente de qualquer outra", apontando que está inclusivamente "a atingir gravemente empresas saudáveis, porque a vida pública foi encerrada", razão pela qual são necessárias "soluções inovadoras no âmbito do Quadro Financeiro Plurianual, para desbloquear investimento público e privado massivo".

Ursula von der Leyen assumiu então a importância de apostar na coesão e convergência, que "serão mais importantes do que nunca".

"Embora a crise seja simétrica, a retoma não o é. A coesão e a convergência serão mais importantes do que nunca. O mercado único e a política de coesão são as duas faces da mesma moeda. Precisamos de ambas para garantir prosperidade em toda a UE", defendeu.

Na fracassada cimeira de líderes da UE de 20 e 21 de fevereiro passado em busca de um compromisso em torno do orçamento para 2021-2027, registou-se um fosso entre um 'quarteto' formado por contribuintes líquidos, os chamados 'frugais' - Áustria, Dinamarca, Holanda e Suécia -, que não querem contribuir mais para os cofres europeus, e um grupo alargado de países "amigos da coesão", formado por Portugal, Bulgária, Chipre, Croácia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Grécia, Hungria, Itália, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia, Portugal, República Checa, Roménia.

A Comissão Europeia anunciou que em breve apresentará uma nova proposta orçamental, necessariamente mais ambiciosa, para fazer face aos choques provocados pela pandemia da covid-19.

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