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PM SÉRVIO MORRE EM ATENTADO

O primeiro-ministro sérvio, Zoran Djindjic, foi ontem assassinado com dois tiros disparados por franco-atiradores em frente à sede do Governo, em Belgrado. O Executivo reuniu-se imediatamente a seguir e declarou o estado de emergência bem como três dias de luto oficial.
12 de Março de 2003 às 13:16
PM SÉRVIO MORRE EM ATENTADO
PM SÉRVIO MORRE EM ATENTADO
Imediatamente após o crime, ocorrido por volta das 12H45, Djindjic, de 50 anos, foi transportado para um hospital, tendo sido submetido a uma cirurgia de emergência, mas acabou por sucumbir aos graves ferimentos.

A Polícia selou a área onde ocorreu o crime, tendo feito buscas a carros e detido três pessoas.

Recorde-se que no passado dia 21 de Fevereiro, o primeiro-ministro sérvio sobreviveu a uma tentativa de assassínio, quando um camião tentou deliberadamente embater contra o carro em que ele seguia. Na altura, Djindjic desdramatizou o incidente afirmando tratar-se de ‘um esforço fútil que não iria travar as reformas democráticas’.

Antagonista político do presidente da Sérvia e Montenegro, o nacionalista Vojislav Kostunica, Djindjic escreveu a sua própria página na História ao entregar ao Tribunal de Haia o ex-presidente jugoslavo Slobodan Milosevic. Com este acto de coragem, ganhou peso político internacional, mas conquistou igualmente inimigos.

Quando soube da morte do líder sérvio, Stjepan Mesic, presidente da Croácia, comentou: Isto não é bom para a Sérvia, nem para nós, vizinhos’. Sentimento partilhado por outros dirigentes mundiais, que manifestaram profundo pesar pela morte de Djindjic.

UM POLÍTICO AMBICIOSO

Filho de um oficial do Exército, Zoran Djindjic era um homem politicamente ambicioso e com metas bem definidas. Nasceu em Bosanski Samac, na Bósnia, e formou-se em Filosofia na Universidade de Belgrado.

O seu protagonismo começou logo enquanto estudante, quando foi preso pelo regime de Josip Tito em 1974 por tentar organizar um grupo estudantil independente.

Após a libertação, foi estudar para a então República Federal da Alemanha, regressando a Belgrado em 1989. Foi co-fundador do Partido Democrático e um dos líderes que coordenaram os protestos de rua contra o governo de Slobodan Milosevic.

Como prémio, mas por um período efémero, teve a presidência da Câmara de Belgrado. Chefiava o governo sérvio desde Fevereiro de 2001. Era casado com uma advogada e deixa dois filhos órfãos de pai.
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