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Correio da Manhã

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Podemos usar armas nucleares

O presidente francês, Jacques Chirac, alertou ontem que a França pode recorrer a armas nucleares contra qualquer Estado que ameace o país, os seus aliados ou interesses no estrangeiro.
20 de Janeiro de 2006 às 00:00
O recado de Chirac foi pronunciado durante visita a submarino nuclear
O recado de Chirac foi pronunciado durante visita a submarino nuclear FOTO: Reuters
O alerta do estadista – que acontece sobre o pano de fundo do diferendo relativo ao programa nuclear do Irão – foi pronunciado durante uma visita à base de Ile-Longue, Bretanha, onde está estacionada a frota de submarinos nucleares francesa.
Sem nunca aludir a Teerão e ao polémico presidente Mahmoud Ahmadinejad, Chirac lembrou que “o radicalismo está a proliferar em vários países onde se advoga a confrontação de civilizações”. Admitindo que o poder nuclear não pode “dissuadir terroristas fanáticos”, adverte que é decisivo noutras circunstâncias. “Os dirigentes de estados que recorram a meios terroristas contra nós ou que pensem utilizar armas de destruição maciça”, afirmou, “devem estar conscientes de que daremos resposta firme e adequada”.
Recorde-se que a França integrou a ‘troika’ de países europeus que negociou com o Irão o fim do seu programa nuclear. Ahmadinejad fez gorar todos os esforços e reiterou a intenção de retomar o programa de enriquecimento de urânio alegando que o nuclear iraniano tem fins exclusivamente pacíficos.
A Europa e os EUA querem ver aplicadas sanções ao Irão, mas o caso terá de ser debatido no Conselho de Segurança da ONU, onde corre o risco de ser vetado pela Rússia e China, países com grandes interesses económicos no país dos ayatollahs.
SÍRIA REITERA APOIO
O presidente sírio, Bachar al-Assad, expressou entretanto o seu apoio ao programa nuclear do Irão e à resolução da crise por meio do diálogo. “O Irão tem o direito de construir uma tecnologia nuclear para fins pacíficos”, afirmou Assad, ao mesmo tempo que criticou as “pressões internacionais exercidas sobre o país”. Assad afirmou de seguida que Síria e Irão apoiam a causa palestiniana e a resistência contra a ocupação israelita, no que parece ser um apoio indirecto aos recentes ataques verbais de Ahmadinejad ao estado judaico.
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