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Polícia brasileira prende quarto suspeito da morte de jornalista e ativista na Amazónia

Dom Philips e Bruno Araújo Pereira desapareceram depois de colherem depoimentos de indígenas que denunciaram a atuação de grupos de invasores.  
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 23 de Junho de 2022 às 15:52
Dom Phillips é conhecido por denunciar ameaças contra as tribos isoladas e a floresta amazónica
Dom Phillips é conhecido por denunciar ameaças contra as tribos isoladas e a floresta amazónica FOTO: JOAO LAET/Getty Images

A polícia de São Paulo prendeu na manhã desta quinta-feira, 23 de Junho, mais um suspeito pelas mortes do investigador brasileiro Bruno Araújo Pereira e do jornalista inglês do The Guardian Dom Philips, desaparecidos na Amazónia dia 5 e cujos corpos foram encontrados dia 15 na mesma região, queimados e esquartejados. A informação foi avançada pelo delegado Roberto Monteiro, chefe da seccional centro da Polícia Civil (Judiciária), responsável pela prisão.

O suspeito foi identificado como Gabriel Pereira Dantas, e após os crimes teria fugido primeiro para o estado de Roraima, também na Amazónia, e depois para São Paulo. De acordo com a polícia, ele estava na lancha voadora que dia 5 intercetou no Rio Itaquaí, no Vale do Javari, a lancha onde seguiam Bruno e Dom e de onde, de acordo com a investigação, foram disparados os tiros de caçadeira que os mataram.

Ainda de acordo com a investigação que está a ser levada a cabo pela Polícia Civil do Amazonas e pela Polícia Federal, o suspeito preso hoje na capital Paulista foi encarregado pelos outros criminosos de esconder os pertences das duas vítimas. As roupas, mochilas e documentos do pesquisador e do jornalista foram localizadas por indígenas que participavam nas buscas como voluntários amarradas a um tronco de árvore submerso no Rio Itaquaí perto do local dos crimes.

Bruno Araújo Pereira, considerado o maior especialista brasileiro em povos isolados na Amazónia, e Dom Philips, um apaixonado por questões ambientais que vivia há anos no Brasil, foram ao Vale do Javari ouvir denúncias de indígenas sobre a presença na região de garimpeiros, madeireiros e pescadores ilegais, protegidos por grupos fortemente armados.

Bruno e Dom, cujos corpos deverão ser entregues às famílias no final desta quinta-feira após exames de ADN, foram mortos no regresso a Atalaia do Norte, a cidade mais próxima ao Vale do Javari, por um pescador que Bruno já tinha denunciado, Amarildo Costa Oliveira, ajudado segundo a polícia do Amazonas por um irmão, Oseney Costa Oliveira, um outro pescador, Jeferson Silva Lima, os três já presos no Amazonas, por Gabriel, preso hoje em São Paulo, e outros quatro suspeitos ainda a monte.

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