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Correio da Manhã

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Polícia detém jovens opositores

A Polícia Nacional de Angola já confirmou a detenção de vários jovens ligados à UNITA e ao Bloco Democrático, ambos partidos da oposição. No entanto, desmente que qualquer activista esteja em local desconhecido.
10 de Setembro de 2011 às 00:30
Há uma semana que jovens se manifestam em Luanda contra o regime de José Eduardo dos Santos
Há uma semana que jovens se manifestam em Luanda contra o regime de José Eduardo dos Santos FOTO: direitos reservados

O segundo-comandante da Polícia Nacional de Angola, comissário-chefe Paulo de Almeida, afirmou que os detidos "arremessaram pedras e enfrentaram as autoridades" junto ao tribunal onde estão a ser julgados os 21 manifestantes detidos no passado sábado, em Luanda, durante um protesto contra o presidente José Eduardo dos Santos. Aquele responsável acrescentou que o número exacto de detidos ainda não estava apurado, mas garantiu que entre eles estão "pelo menos cinco elementos afectos à Juventude da UNITA e outros do Bloco Democrático".

O comissário-chefe negou, contudo, que os 30 manifestantes permaneçam incontactáveis ou em paradeiro desconhecido desde a sua detenção, no sábado, alegando que essas informações não passam de "factos inventados e de manipulação". Paulo de Almeida desmentiu que algum jovem esteja desaparecido, apesar de familiares garantirem desconhecer o seu paradeiro. O oficial da polícia angolana salientou que "só vai preso quem cometeu alguma infracção".

Por seu lado, o delegado da UNITA em Portugal, Emanuel Lopes, referiu que os jovens que estavam detidos na esquadra da ilha de Luanda foram transferidos para a prisão do DIPIC, fora da capital, no Calumbo, perto do Bom Jesus. "A UNITA teme que a ausência de registos da sua entrada nas prisões, assim como a proibição do acesso aos jovens, por familiares e advogados, revele a intenção de torturar ou mesmo matar alguns deles", declarou.

Entretanto, prosseguiu ontem, à porta fechada e com forte aparato policial, o julgamento dos activistas detidos no passado fim-de-semana.

EMBAIXADOR EM LISBOA DIZ QUE "NÃO HÁ DITADURA"

O embaixador de Angola em Lisboa, José Marcos Barrica, afirmou ontem que não existe uma ditadura em Angola.

O diplomata considerou "naturais" as manifestações que se têm realizado em Luanda e rejeitou comparações com o que se passa no Norte de África, porque Angola "não tem uma ditadura". Marcos Barrica, que considera que a situação está a ser "empolada", afirmou que "as forças da ordem intervieram no momento em que terá havido uma actuação marginal".

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