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Correio da Manhã

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POLÍCIA FEDERAL BRASILEIRA EM GREVE

A maioria dos agentes da Polícia Federal do Brasil iniciou, esta terça-feira, uma greve por período indeterminado, exigindo aumentos salariais de 50 por cento. Este protesto põe em causa a investigação do crime organizado e o controlo de fronteiras e constitui um teste sério à vontade do governo de ‘Lula’ em controlar os salários no sector público.
9 de Março de 2004 às 20:57
“Todas as investigações vão parar até que o governo resolva os nossos problemas”, anunciou hoje Fernando Honorato, agente policial e presidente do Sindicato da Polícia Federal. “Começámos hoje nas delegações espalhadas pelo país, amanhã (quarta-feira) vamos começar nos aeroportos e fronteiras”, acrescentou o dirigente sindical, estimando que 8 mil dos cerca de 10 mil polícias federais brasileiros aderiram ao protesto.
A investigação a um antigo assessor governamental, que despoletou no mês passado o mais grave escândalo no governo de ‘Lula’ da Silva, foi suspensa, o que afecta directamente a intenção do Executivo de ‘limpar a sua imagem’. A greve na Polícia Federal não vai afectar o patrulhamento das vias públicas, que é feito pelas polícias militares estaduais.
De acordo com Fernando Honorato, os agentes da Polícia Federal exigem aumentos salariais de 50 por cento, alegando que uma lei de 1996 lhes concede esse direito. O governo brasileiro insiste em como não tem capacidade financeira para dar resposta às exigências dos polícias federais, explicitando que o que eles pedem acaba por ser um aumento salarial médio de 85 por cento e que isso teria um impacto de 600 milhões de reais (209 milhões de dólares) no orçamento anual do Estado.
DESMANTELADA REDE DE TRÁFICO DE DIAMANTES
No mesmo dia em que a Polícia Federal brasileira entrou em greve, agentes desta mesma força policial anunciaram o desmantelamento de uma das mais importantes redes de contrabando de diamantes no Brasil.
O agente Marcos Pereira, em Rondonia, anunciou a detenção de 14 suspeitos, incluindo o presumível ‘cabecilha’ da rede, Marcos Glikas, um líder índio tribal e três agentes policiais. De acordo com fonte policial, a investigação envolveu mais de 100 agentes e prolongou-se ao longo de um ano.
Garimpeiros e aventureiros têm vindo a invadir nos últimos anos a Reserva Índia Roosevelt, em Rondonia, à procura de diamantes. A prospecção em terrenos de reserva índia, conduzida em Rondonia pela tribo Cinta Larga, é ilegal, mas a procura externa, nomeadamente sul-africana e belga, tem mantido o negócio activo. Glikas, o presumível ‘cabecilha’, foi apanhado em flagrante delito, ao vender diamantes a um comprador belga. Trata-se do mesmo indivíduo que já havia sido preso em Nova Iorque, acusado de lavagem de dinheiro, tendo depois fugido para o Brasil, após pagar uma caução.
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