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Polícia iraniana dispara contra manifestantes

Milhares de pessoas saíram à rua para protestar contra as mentiras do regime sobre a queda de avião ucraniano.
Ricardo Ramos 14 de Janeiro de 2020 às 08:48
Milhares de pessoas protestaram nas ruas após o regime de Teerão admitir a responsabilidade no derrube do avião ucraniano com 176 pessoas a bordo
Milhares de pessoas protestaram nas ruas após o regime de Teerão admitir a responsabilidade no derrube do avião ucraniano com 176 pessoas a bordo FOTO: EPA
A polícia iraniana abriu fogo contra centenas de pessoas que protestavam em Teerão, no domingo à noite, contra o derrube de um avião de passageiros ucraniano com 176 pessoas a bordo. Relatos nas redes sociais dão conta de vários feridos em mais um brutal ato de repressão das autoridades iranianas, dois meses após centenas de pessoas terem sido mortas durante protestos antigovernamentais em todo o país.

Vários vídeos que circulam na internet mostram manifestantes ensanguentados a serem levados em ombros enquanto se ouvem disparos. Os relatos de testemunhas acusam a polícia de ter lançado granadas de gás lacrimogéneo sobre a multidão antes de disparar munições reais contra os manifestantes. Em comunicado, o chefe da polícia de Teerão negou esta segunda-feira que as forças de segurança tenham disparado sobre os manifestantes, garantindo que receberam ordens para observar a "máxima contenção".

Desde sábado que milhares de pessoas têm saído à rua em Teerão e Isfahan para protestar contra o regime, depois de Teerão ter finalmente admitido, após vários dias de desmentidos oficiais, que o avião ucraniano foi abatido por engano pelas defesas antiaéreas da capital.

"Morte ao ditador" e "Dizem que o nosso inimigo é a América mas o verdadeiro inimigo está cá dentro", foram algumas das palavras de ordem gritadas pelos manifestantes, na sua maioria jovens universitários de classe média e alta. Um vídeo mostra dezenas de manifestantes a evitarem pisar bandeiras dos EUA e de Israel pintadas no chão pelos apoiantes do regime junto a uma universidade, num gesto simbólico de desafio.

Os protestos abrem uma importante brecha na imagem de unidade que o regime de Teerão tentou projetar após a morte do general Qassem Soleimani, assassinado pelos EUA num ataque com mísseis no Iraque, no passado dia 2.

PORMENORES
Aviso de Trump
O presidente Donald Trump avisou no domingo o regime de Teerão para não reprimir os protestos. "Não matem os vossos manifestantes", avisou.

Embaixador detido
O embaixador britânico em Teerão foi brevemente detido pela polícia iraniana após participar, alegadamente, num protesto contra o derrube do avião.

Ação legal
Representantes de cinco países cujos cidadãos morreram na queda do avião ucraniano vão reunir-se em Paris para concertar ações legais contra o Irão.
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