Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
7

Polícia moçambicana distribui 6 mil preservativos para prostitutas de Chimoio

Redução de clientes nos prostíbulos deixou trabalhadoras de sexo mais vulneráveis, sem poder de negociar o sexo e de comprar contracetivos.
Lusa 8 de Abril de 2021 às 18:42
Preservativos
Preservativos FOTO: Getty Images
A Polícia moçambicana distribuiu 6.000 preservativos a cerca de 200 prostitutas que tiveram uma quebra nos rendimentos devido às restrições impostas pela covid-19 no maior prostíbulo de Chimoio, centro do país, disseram à Lusa fontes oficiais.

A redução de clientes nos prostíbulos deixou as trabalhadoras de sexo mais vulneráveis, sem o poder de negociar o sexo e de comprar os contracetivos no mercado para sua proteção, colocando em risco a sua saúde.

"Nós trouxemos os preservativos para as trabalhadoras de sexo para cortar a cadeia de transmissão sexual" e ajudá-las "a negociar um sexo seguro" no contexto da pandemia da pandemia de covid-19, disse Domingas Júlio, comandante da quarta esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Chimoio.

"O trabalho que elas fazem é de risco" daí a necessidade de sempre terem um preservativo como um instrumento de trabalho, acrescentou.

A oferta, na sexta-feira, enquadra-se na celebração do mês da mulher, cujo dia nacional se comemorou em 07 de abril.

As beneficiárias consideram "confortante" o gesto da polícia no meio das dificuldades, sobretudo financeiras, com que se deparam desde o início das restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus.

"Ás vezes perdemos cliente por falta de preservativo, quando nenhuma vizinha do quarto tem um para emprestar. Geralmente nós emprestávamos, mas chegamos a não ter o suficiente para isso" disse à Lusa Rosa Murade, uma trabalhadora de sexo.

"Sou grata por este suporte da polícia, tivemos uma escassez de preservativos e nos lugares onde levávamos gratuito não existiam e tínhamos que comprar, mas não tínhamos dinheiro. Era doloroso o que vivemos", disse Ndandi Muture, outra prostituta zimbabueana.

O Governo moçambicano atribui um fundo de proteção social para proteger as populações mais carenciadas e vulneráveis, mas as prostitutas de Chimoio lamentam o facto de não terem sido abrangidas pelo plano.

Recentemente várias prostitutas denunciaram excesso de zelo por parte da polícia durante a sua atuação nos prostíbulos, chegando a vasculhar quartos e arrancar o pouco dinheiro que encontravam nas mãos das prostitutas.

Chimoio Polícia da República de Moçambique questões sociais prostituição saúde doenças
Ver comentários