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Polícia sem ordem para usar a força

Após horas de incertezas e de ambiguidades, o governo espanhol confirmou ontem que a polícia só recorrerá ao uso da força para dispersar os protestos cívicos em Madrid no caso de se registarem desordens. O anúncio surgiu após a decisão da Junta Eleitoral Central (JEC) de ilegalizar as manifestações de hoje, dia de reflexão eleitoral, e de amanhã, jornada de eleições locais e regionais em Espanha.

21 de Maio de 2011 às 00:30
Milhares de pessoas acampam há uma semana na Puerta del Sol, em Madrid, onde prometem permanecer
Milhares de pessoas acampam há uma semana na Puerta del Sol, em Madrid, onde prometem permanecer FOTO: Paul Hanna/Reuters

Ao final da tarde, por volta das 20h30 (19h30 em Lisboa), um dos porta-vozes do movimento dos ‘indignados’ (que exige a reforma do sistema político) comunicou por megafone aos milhares de pessoas acampadas há quase uma semana na Puerta del Sol, em Madrid, a confirmação de que a polícia não desalojaria os manifestantes.

O receio de uso da força crescera horas antes, alimentado pelas declarações ambíguas do ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba. "A polícia sabe o que tem a fazer para impor a lei", afirmou, recusando confirmar se seria usada a força.

Ante essa incerteza, uma assembleia decidira já transformar os protestos em concertos na Puerta del Sol, a fim de iludir a ordem da JEC. Essa medida legitimaria a concentração popular e inviabilizaria uma intervenção policial. Recorde-se que os protestos de Madrid alastraram ao longo da semana a Barcelona e a mais de 160 outras localidades, incluindo noutros países como Portugal.

O governo justificou a decisão invocando determinações do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, segundo as quais um protesto, mesmo quando ilegal, só pode ser dispersado pela força ante actos de violência. Muito mais cedo, as autoridades da região autónoma da Catalunha tinham aclarado as coisas. "O uso da força é o último dos recursos", afirmaram.

Cerca de duas mil pessoas passaram a noite na Praça da Catalunha, Barcelona, número esse que aumentou durante o dia.

O Supremo Tribunal apreciava entretanto um recurso da Esquerda Unida (IU) contra a proibição da Junta Eleitoral Central. A decisão não foi revelada até à hora de fecho desta edição.

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