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Polícias matam rapaz no quartel e atiram corpo à rua

Um rapaz de 30 anos que trabalhava como estafeta motorizado foi detido ilegalmente na zona norte da cidade brasileira de São Paulo, levado para um quartel da polícia e espancado até à morte, e depois teve o seu corpo deixado pelos agentes na via pública sem qualquer identificação.
23 de Abril de 2010 às 19:00
Corpo de jovem foi deixado na rua
Corpo de jovem foi deixado na rua FOTO: Ricardo Cabral/Arquivo CM

Um rapaz de 30 anos que trabalhava como estafeta motorizado foi detido ilegalmente na zona norte da cidade brasileira de São Paulo, levado para um quartel da polícia e espancado até há morte, e depois teve o seu corpo deixado pelos agentes na via pública sem qualquer identificação.


Nove polícias foram presos ao longo da madrugada desta sexta-feira e outros cinco estão a ser procurados, acusados de terem participado no crime, que ocorreu no passado dia nove mas só agora foi conhecido.

A morte de Eduardo Luís Pinheiro dos Santos e a forma bárbara como ocorreu só foram conhecidas depois que a família dele conseguiu descobrir o seu corpo no Instituto de Medicina Legal e as testemunhas que presenciaram o crime perderam o medo de falar e acusaram os polícias.

O rapaz foi preso numa rua no bairro de Santana, zona norte da capital paulista, juntamente com outros três rapazes, com os quais ele discutia, por suspeita de terem algo a ver com o desaparecimento da bicicleta do filho dele.

No meio da discussão, uma viatura da Polícia Militar (segurança pública) que passava por acaso pelo local parou e, segundo os outros três, Eduardo, que estava exaltado, foi algemado e começou a ser agredido pelos polícias ali mesmo.

Em seguida, os quatro foram levados não para a esquadra do bairro, como seria normal, mas sim para o quartel da polícia, o que é ilegal.

Sempre de acordo com os três rapazes com quem Eduardo tinha discutido, ele foi levado para os fundos do quartel e foi demoradamente espancado, tanto pelos polícias que o tinham detido quanto por outros que já estavam lá ou entretanto chegavam.


Os três rapazes não sofreram qualquer agressão e foram libertados daí a pouco, enquanto Eduardo, que gritava o nome da mãe e afirmava que não precisavam bater-lhe, que não era bandido, continuava a ser espancado.


Horas depois, o seu corpo foi deixado numa rua do mesmo bairro, sem qualquer identificação, e mais tarde foi recolhido para o Instituto de Medicina Legal como desconhecido.


A família, ao constatar o desaparecimento, procurou a polícia, mas não havia qualquer registo da passagem do rapaz, nem pela esquadra, nem pelo quartel.


Foi só quando a família soube através de testemunhas que Eduardo tinha sido levado por polícias é que o caso começou a ser desvendado, e agora os agentes enfrentam dois processos, um da própria corporação a que pertencem, e outro aberto pela Polícia Civil, o equivalente à nossa Polícia Judiciária.

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