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Político de combate

Passou semanas a liderar as sondagens, e mesmo quando os resultados eleitorais o colocaram em segundo lugar não teve dúvidas em proclamar que seria “o próximo primeiro-ministro de Israel” – e é muito provável que venha a sê-lo. Quase uma década depois de ter abandonado a liderança do governo, Benjamin Netanyahu é hoje um político mais maduro, menos impulsivo mas não menos combativo. Inspirado por Obama, não chegou ao ponto de usar a ‘mudança’ como slogan, mas se voltar a ser primeiro-ministro muita coisa vai mudar – a começar pelo processo de paz com os palestinianos.
14 de Fevereiro de 2009 às 00:30
O líder da direita israelita quer destruir o Hamas e não vê  utilidade nas negociações com os palestinianos
O líder da direita israelita quer destruir o Hamas e não vê utilidade nas negociações com os palestinianos FOTO: Michal Fattal

Quando tomou posse em 1996, Netanyahu tinha pouca experiência política – foi o primeiro-ministro israelita mais jovem de sempre e o único nascido após a criação do Estado de Israel. A sua carreira começara a tomar forma oito anos antes quando, após várias décadas nos EUA, regressou a Israel para candidatar-se a deputado pelo Likud. Para trás ficou o lugar de embaixador na ONU, que ocupou durante quatro anos.

A experiência diplomática não o ajudou muito na chefia do governo. Fiel à ala dura da direita israelita, participou a contragosto nas negociações com os palestinianos, e levantou tantos obstáculos que chegou a enfurecer Bill Clinton, que a certa altura desabafou: "Parece que ele é que é  a superpotência e nós é que temos de fazer o que ele manda."

Dez anos depois, pouco mudou. Embora mais diplomático, a relutância em falar com os palestinianos mantém-se: para Netanyahu, a Autoridade Palestiniana, liderada por Mahmoud Abbas, é "irrelevante", ao passo que o Hamas "é para destruir". O líder do Likud defende, por isso, uma nova abordagem ao processo de paz, aquilo a que ele chama "paz económica", que consiste em incentivar a economia palestiniana, melhorar as condições de vida do povo e só depois falar com os seus líderes. Um Estado palestiniano independente está fora de questão.

Durante a campanha, prometeu também não devolver um centímetro de terra aos palestinianos; mas, de acordo com analistas, isso poderá mudar devido à pressão dos EUA. "Ninguém ganha eleições prometendo entregar território", ressalva um desses analistas, lembrando que, até agora, foi a direita israelita quem fez as principais concessões territoriais: Begin cedeu o Sinai ao Egipto, Sharon devolveu Gaza aos palestinianos, e até o próprio Netanyahu entregou 80 por cento de Hebron à Autoridade Palestiniana.

A FIGURA

Benjamin Netanyahu nasceu em Telavive em 1949. Aos 13 anos, a família emigrou para os EUA. Cumpriu o serviço militar nos comandos em Israel e regressou aos EUA. Foi número 2 da embaixada israelita em Washington e embaixador na ONU. Em 1988 foi eleito deputado pelo Likud e em 1996 tornou-se primeiro-ministro.

CAMPANHA AO ESTILO OBAMA

Netanyahu optou por uma campanha moderna, bem alicerçada na internet e recorrendo às principais redes sociais como o Facebook ou o Twitter, à semelhança do que Obama fez nos EUA. Aliás, não foi essa a única semelhança: o website de Netanyahu usou o mesmo formato, a mesma cor, o mesmo tipo de letra que o de Obama , numa imitação descarada que, pelos vistos, deu frutos.

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