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Populares incendeiam posto policial na província moçambicana de Gaza

Autoridades moçambicanas detiveram seis pessoas, acusando-as de liderar populares que incendiaram o posto policial.

01 de setembro de 2026 às 22:10

Populares incendiaram um posto policial para pressionar as autoridades a libertarem duas pessoas acusadas de alegadamente "atrofiar órgãos genitais de dois jovens" no distrito Chilembene, na província moçambicana de Gaza, avançou esta terça-feira a polícia.

Segundo a Polícia da República de Moçambique (PRM), os populares cercaram o posto policial para exigir a entrega dos dois indivíduos, com o objetivo de "fazer justiça pelas próprias mãos", obrigando os agentes a efetuar disparos de dispersão.

"Tragaram o posto policial com o pretexto de que a polícia deveria entregar estas duas pessoas para poderem fazer a justiça pelas próprias mãos", disse aos jornalistas Carlos Macuacua, porta-voz da PRM em Gaza.

A polícia disse que a confusão começou naquela região após um mototaxista ter desaparecido durante o exercício das suas atividades diárias. Durante as diligências, foi encontrado um indivíduo na posse da motorizada e do telefone do desaparecido.

Segundo Macuacua, este acontecimento elevou a tensão, com a circulação de um boato sobre o alegado desaparecimento ou atrofiamento dos órgãos genitais de dois jovens, sendo os dois indivíduos apontados pela população como responsáveis.

As autoridades moçambicanas detiveram seis pessoas, acusando-as de liderar populares que incendiaram o posto policial.

"Não pode-se tolerar a situação de desordem pública", afirmou Macuacua.

O caso ocorre num contexto de violência associado a boatos sobre o alegado desaparecimento ou atrofiamento de órgãos genitais masculinos. Em junho, o Ministério do Interior anunciou que pretendia reforçar a capacidade da polícia para combater a desinformação e narrativas falsas que desacreditam instituições públicas.

Em maio, o comandante-geral da PRM, Joaquim Sive, indicou que pelo menos 55 pessoas tinham morrido e 111 ficado feridas em atos de violência associados a esses boatos, que começaram em Cabo Delgado e se espalharam para outras regiões do país e para as redes sociais.

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