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Correio da Manhã

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Porquê Senhor Permanecestes calado?

Chamando-se a si próprio “um filho da Alemanha”, o Papa Bento XVI rezou no antigo campo de concentração nazi de Auschwitz e perguntou a Deus porque esteve calado quando 1,5 milhões de vítimas, na maioria judeus, morreram naquele “vale da escuridão”.
29 de Maio de 2006 às 00:00
Pela primeira vez Bento XVI visitou o campo de concentração de Auschwitz
Pela primeira vez Bento XVI visitou o campo de concentração de Auschwitz FOTO: Pawel Kopczynski/Reuters
Num discurso marcado pela necessidade de reconciliação, o Papa, com 79 anos, disse que “num lugar como este as palavras falham. No limite, só se pode guardar silêncio. Um silêncio que é um grito do fundo do coração a Deus”. Bento XVI interrogou então Deus: “Porquê Senhor Permanecestes calado? Como Pudestes tolerar tudo isto? Onde estava Deus nesses dias? Porque permaneceu em silêncio? Como permitiu Ele esta matança extrema, este triunfo do mal?”
Antes da viagem marcante a Auschwitz, o Papa foi ouvido por cerca de um milhão de fiéis no parque Blonie, em Cracóvia. Esta foi a maior audiência registada durante a sua visita de quatro dias à Polónia e que ontem terminou.
Na missa, o Sumo Pontífice apelou à defesa do cristianismo na Europa. E pediu à multidão para se manter fiel numa altura difícil para a Europa: “Sejam fortes na fé e sejam verdadeiros fiéis. Hoje, mais do que em qualquer outra época, é necessária essa força.”
Durante a Santa Missa, as referências a João Paulo II foram muitas, provocando uma enorme comoção nos mais de 900 mil fiéis.
Joseph Ratzinger acompanhou o pontificado do seu antecessor durante 24 anos e nunca escondeu a sua devoção a Karol Wojtyla.
“Peço-vos para partilharem com os outros povos da Europa e do mundo o tesouro da fé, também em honra da memória do vosso compatriota que, como sucessor de S. Pedro, o fez com extraordinária força e eficácia”, apelou Bento XVI, aproveitando para se referir à sua visita à cidade de João Paulo II: “No início do segundo ano do meu Pontificado vim à Polónia e a Cracóvia por uma necessidade do coração; vim como peregrino dos passos do meu predecessor; queria respirar o ar da sua pátria.”
O pedido de defesa do cristianismo na Europa, surge numa altura em que foram revelados dados que dão conta da perda de influência da Igreja Católica na Europa.
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