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Correio da Manhã

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Portugal disponível para enviar forças

O ministro da Defesa Nacional afirmou ontem que Portugal está disponível para avaliar o tipo de forças portuguesas que poderão intervir no Líbano. Foi a primeira reacção do governo português à resolução 1701 aprovada sexta-feira à noite pelo Conselho de Segurança da ONU, que visa estabelecer um cessar-fogo entre Israel e o Líbano e abre caminho para o envio de 15 mil ‘capacetes azuis’ e 15 mil militares libaneses para o Sul do Líbano.
13 de Agosto de 2006 às 00:00
Apesar do cessar-fogo aprovado na ONU, as tropas israelitas avançaram de novo em força para o Sul do Líbano
Apesar do cessar-fogo aprovado na ONU, as tropas israelitas avançaram de novo em força para o Sul do Líbano FOTO: Yonathan Weitzman, Reuters
“Portugal está disponível para avaliar nesse quadro qual o tipo de forças portuguesas que poderão intervir” no processo de paz no Líbano, afirmou Nuno Severiano Teixeira, na base naval do Alfeite, durante uma visita à corveta ‘Baptista de Andrade’, que partiu ontem para uma missão de patrulha em águas de Cabo Verde. “É politicamente importante que isso tenha acontecido, porque é o primeiro passo para poder restabelecer-se a paz. Mas é apenas um primeiro passo e é preciso que essa resolução se traduza no terreno”, afirmou o ministro, acrescentando que “a partir de agora há muitas coisas que devem ser clarificadas, nomeadamente a natureza do mandato, o tipo de forças e o tipo de missão das forças.”
TROPAS INTERNACIONAIS
A resolução da ONU, que parece ter sido aceite pelo Hezbollah e pelo governo libanês, visa estabelecer um cessar-fogo, um mês depois de Israel ter começado a bombardear o Líbano como retaliação pelo sequestro de dois soldados israelitas pelo Hezbollah. Ontem, ao fim da tarde, o governo israelita anunciou que terminará a sua ofensiva no Líbano a partir das sete horas de amanhã.
Refira-se que Alvaro de Soto, enviado do secretário-geral da ONU ao Médio Oriente, afirmou que a força internacional poderia começar a deslocar-se para o Sul do Líbano dentro de sete a dez dias.
Mas no terreno os combates continuaram durante todo o dia de ontem com a aviação israelita a bombardear incessantemente várias posições do Hezbollah junto à fronteira e a guerrilha a ripostar. Segundo fontes militares de Telavive, pelo menos mais sete soldados israelitas foram mortos durante os combates com os milicianos xiitas.
NASRALLAH ACEITA TRÉGUAS
O Hezbollah vai respeitar o cessar-fogo estipulado pela resolução do Conselho de Segurança da ONU, mas continuará a combater enquanto Israel mantiver tropas no Sul do Líbano, afirmou ontem o líder do movimento numa alocução através da Televisão do movimento xiita libanês, a Al-Manar. No entanto, o xeque Hassan Nasrallah afirmou peremptório que a resistência à ofensiva israelita “é um direito natural”.
A resolução, saudada pelos principais actores internacionais, foi já aceite pelo primeiro-ministro libanês, que considerou estar perante um plano que “serve os interesses do Líbano” e acrescentou que o seu governo vai aprová-la, na reunião prevista para hoje à tarde. “Esta resolução mostra que todo o Mundo esteve ao lado do Líbano”, disse o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora.
Ainda antes do ‘sim’ do Hezbollah ao cessar-fogo, o Irão (que apoia a milícia xiita libanês) pronunciou-se sobre a resolução, considerando que a mesma é unilateral e que “serve sobretudo os interesses do regime sionista” – segundo as palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros de Teerão, Manuchehr Mottaki.
RESOLUÇÃO 1701
FIM DAS HOSTILIDADES
O Hezbollah tem de cessar de imediato os ataques contra Israel. Israel tem de cessar todas as operações militares contra o Líbano.
15 MIL HOMENS DA ONU
A ONU vai colocar 15 mil efectivos (a juntar aos dois mil da sua missão no Sul do Líbano, UNIFIL) para vigiar o cessar-fogo. Quinze mil militares libaneses serão também deslocados para o Sul do país. A UNIFIL termonitorizará o cessar-fogo com um mandato adequado para executar todas as suas acções.
RETIRADA DE ISRAEL
Israel retirará as tropas do Sul do Líbano assim que as tropas internacionais estiverem posicionadas no terreno.
HEZBOLLAH ABATE HELICÓPTERO
O Hezbollah abateu ontem – dia em que foi anunciado o cessar-fogo – um helicóptero israelita próximo da vila libanesa de Yater, a seis quilómetros da fronteira, usando um novo tipo de míssil, o ‘Waad’. O ataque causou a morte a quatro militares israelitas.
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