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Correio da Manhã

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Portugal na lista do assassino da Noruega

Portugal é várias vezes referido num delirante manifesto de 1500 páginas publicado na internet pelo terrorista Anders Behring Breivik horas antes do duplo atentado da passada sexta-feira na Noruega, em que morreram 93 pessoas.
25 de Julho de 2011 às 00:30
Manifesto é acompanhado por um vídeo em que o atirador aparece armado. Na ilha de Utoya, a polícia continua as buscas
Manifesto é acompanhado por um vídeo em que o atirador aparece armado. Na ilha de Utoya, a polícia continua as buscas FOTO: Fabrizio Bensch/Reuters

O manifesto, intitulado ‘2083 - Uma Declaração Europeia de Independência', é uma amálgama de referências históricas, estatísticas, panfletarismo de extrema-direita e planos de guerra contra a "elite marxista/multiculturalista responsável pela islamização da Europa". Neste contexto, Portugal surge em 13º lugar numa lista de 20 "alvos prioritários" numa "campanha militar" que terá como alvo principal os "traidores de categoria A e B" - líderes políticos, jornalistas, académicos e outros tidos como apoiantes do multiculturalismo.

Em Portugal, calcula o documento, serão 10 807 os "traidores" a eliminar através de uma campanha massiva de cartas envenenadas com antraz a que Breivik dá o nome de "golpe decisivo". "Daqui a 50 ou 70 anos, nós, os europeus, seremos uma minoria. Quando percebi isto decidi juntar-me ao movimento de resistência", explica Breivik sobre as origens da sua luta, que diz ser partilhada por outros "defensores da Europa" reunidos numa nova Ordem dos Templários criada em Londres em 2002.

TURISTA ALEMÃO SALVOU DEZENAS

Um turista alemão que passava férias num parque de campismo em frente à ilha de Utoya foi descrito como um herói por ter arriscado a vida para salvar dezenas de jovens que se lançaram à água para fugir aos disparos de Breivik. Tal como vários pescadores locais, Marcel Gleffe não hesitou em saltar para o seu barco quando ouviu os tiros e ajudar a salvar pelo menos vinte pessoas. "Lancei-lhes coletes salva-vidas e recolhi para o barco os que estavam em maiores dificuldades. Gritavam e choravam", conta . Na ilha, alguns jovens conseguiram refugiar-se numa casa, barricando as portas com colchões.

"ATROZ, MAS NECESSÁRIO"

Anders Behring Breivik confessou à polícia ter planeado a matança sozinho, mas garante que não cometeu qualquer crime. "Ele reconhece que os ataques foram atrozes, mas, no seu entender, necessários", disse o seu advogado, Geir Lippestad. Breivik deverá ser hoje presente a tribunal, numa altura em que a polícia continua a investigar a hipótese de ter havido um segundo atirador em Utoya.

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