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Português cercado por operação em Dammartin-en-Goële

Luís Silva não pode sair de casa devido à operação policial.
9 de Janeiro de 2015 às 12:58
Os dois suspeitos do ataque estão cercados numa gráfica em Dammartin-en-Goële
Os dois suspeitos do ataque estão cercados numa gráfica em Dammartin-en-Goële FOTO: Etienne Laurent/ EPA

Luís Silva mora em Dammartin-en-Goële, a 40 quilómetros de Paris, onde decorre a operação policial para deter os dois suspeitos do atentado de quarta-feira e descreve, à Lusa, por telefone, que nunca viu "uma coisa destas" e que "nem sabe como contar".

O filho de sete anos de Luís está na escola que "fica, mais ou menos, a 400, 500 metros, a duas ruas ou três" da gráfica onde estarão cercados os dois suspeitos de terem atacado na quarta-feira o jornal satírico Charlie Hebdo, matando 12 pessoas.

"Estou muito stressado porque tenho um filho de sete anos que está na escola. Sabe Deus, eu nem sei se posso ir à escola hoje à noite, não sei como isto vai acabar. Estamos todos nervosos para ver no que isto vai dar", exprimiu, acrescentando que a diretora da escola lhe ligou, dizendo que "não deixam ir buscar os meninos" e que "está lá a polícia".

Esta manhã, Luís Silva, trabalhador na construção civil, saiu de casa para levar o filho à escola, tendo regressado de seguida para casa. Depois, já não pôde sair.

"Quando era para sair de casa não me deixaram. Já estava lá a polícia, já tinham feito reféns. Eram para aí 10h30, 11h00. Quando era para sair de casa, já estava o aparato todo", recorda.

Com oito mil habitantes, Dammartin-en-Goële é "como uma aldeia em Portugal, uma zona calma, pacata, onde nunca houve problemas", descreveu ainda o português, totalmente surpreso com o aparato policial e sublinhando que "nem ninguém entra, nem ninguém sai de Dammartin".

"O aparato aqui, nunca vi uma coisa destas. É polícia por todo o lado, ouve-se por aqui às vezes gritos, pessoas a gritar da parte de lá, devem ser as pessoas que estão lá para dentro, não sei, não faço ideia, não consigo ver", diz, visivelmente ansioso.

A partir de sua casa, onde diz estar "bloqueado", Luís Silva não consegue ver o que se passa no local da operação policial porque há casas a impedirem a visibilidade, acrescentando que tem um primo que estava a trabalhar junto ao local, mas que já conseguiu falar com ele por telefone.

Um dos alegados autores do ataque terrorista ao jornal francês já se entregou às autoridades e os outros dois suspeitos, os irmãos Said Kouachi e Cherif Kouachi, de 32 e 34 anos, estão cercados pela polícia.

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