Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
3

PORTUGUESA VAI VIGIAR OS CÉUS DO IRAQUE

Poderá ser a nossa única presença no Golfo. E logo feminina. Diná Azevedo, de 30 anos, é a única mulher piloto que faz parte da esquadrilha de aviões de vigilância electrónica AWACS da NATO em Geilenkirchen, na Alemanha.
7 de Fevereiro de 2003 às 00:00
Em caso de guerra contra o Iraque, estes aviões desempenharão um importante papel na vigilância dos céus mas a responsabilidade não atemoriza Diná, que tem a consciência de dirigir aviões que são "um alvo apetecível" para o inimigo por "serem os olhos da guerra".

A capitão Azevedo, que em Julho do ano passado já havia sido entrevistada pelo CM, pertence à Força Aérea Portuguesa e é 1º piloto nas tripulações multinacionais da Componente E-3A dos AWACS, sediada na Base Aérea de Geilenkirchen. "Penso estar preparada" para essa eventualidade, afirmou a oficial à Lusa nas instalações da Unidade Nacional de Apoio portuguesa. "Apesar dos riscos, a distância e altitude das aeronaves dão-nos alguma protecção", acrescentou.

Os aviões-radar "Boeing E-3A" da NATO são considerados os "olhos da guerra" por lhes competir a vigilância do espaço aéreo aliado a alta altitude, assim como em profundidade no território do adversário. Os sistemas electrónicos permitem-lhes detectar os alvos inimigos em voo, mesmo a baixa altitude, e apoiar, entre outras missões secundárias, as comunicações em operações aéreas.

Única mulher entre os pilotos-viadores de 12 dos países aliados na frota de AWACS em Geilenkirchen, a portuguesa divide os dias entre o trabalho na base e os voos a bordo dos aviões-radar. Enquanto em terra se ocupa do planeamento dos voos e das escalas de serviços, aos comandos dos AWACS treina aproximações de precisão à pista, manobras de reabastecimento ou aterragens nocturnas.

A expectativa de avançar para o Iraque também faz com que Diná Azevedo, casada com um capitão da Força Aérea Portuguesa e com uma filha de 21 meses, viva já "com muito planeamento" essa possibilidade. A dificuldade reside precisamente na criança, que está sempre acompanhada em Geilenkirchen pelos avós maternos ou paternos como forma de suprir as ausências diárias da militar. Mas a oficial ‘queixa-se’ também da comida alemã e, sobretudo, do tempo: “Chove bastante e faz muito frio” – afirmou Diná na entrevista que concedeu ao CM.

Diná Azevedo, que concluiu o curso de pilotagem do AWACS em Setembro, contou ao CM, no ano passado, que optou pela Força Aérea em detrimento de um curso de engenharia “para não ter que trabalhar sempre no mesmo horário e na mesma fábrica”. Uma opção da qual, certamente, não se arrepende, apesar das horas difíceis que se avizinham.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)