Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
6

Portugueses apedrejados

A situação em Timor-Leste pode, a qualquer momento, voltar a explodir, tendo em conta os factos ocorridos ontem. Dois carros, um com portugueses e outro com brasileiros, foram apedrejados no centro de Díli, tendo a GNR detido 10 pessoas por apedrejamento, tentativa de assalto e incêndio a residências.
28 de Junho de 2006 às 00:00
Às portas da capital estão mais de 10 mil militantes da Fretilin prontos para manifestar o seu apoio ao líder do partido, Mari Alkatiri, Se eles entrarem em Díli, o confronto com apoiantes do presidente Xanana Gusmão será inevitável.
Um dos portugueses envolvidos no incidente de ontem, de que não resultaram feridos, explicou que o apedrejamento ocorreu numa zona onde os manifestantes antigovernamentais montaram barreiras para controlar a entrada de viaturas em Díli. “Deparámo-nos com uma barreira e como não podíamos passar virámos à direita. Fomos logo apedrejados por algumas das pessoas que estavam na barreira e que usavam um documento de identificação ao peito”, referindo-se a elementos da segurança dos manifestantes.
O capitão Gonçalo Carvalho, da GNR, registou incidentes em várias zonas da cidade e em Comoro, controlada pela GNR, houve um incêndio numa casa. Residentes em Díli disseram que foram incendiadas casas em Pité, Comoro e Hudi Laran. Um elemento da Fretilin disse que algumas das casas pertencem a membros e deputados do partido. A GNR foi, entretanto, alertada para armas escondidas numa casa em Díli onde foram encontradas granadas ofensivas.
Para evitar confrontos em Díli com os manifestantes antigovernamentais, Alkatiri foi ontem ao encontro dos militantes da Fretilin em Metinaro, a 40 quilómetros da capital do país, para os convencer a não entrar na capital. “Nós ainda vamos a Díli, mas não é hoje (ontem). É quase noite. Vamos ficar em Metinaro e esperar um dia ou dois dias”, disse Alkatiri.
Francisco Guterres ‘Lu-Olo’, presidente da Fretilin e do Parlamento, que acompanhou Alkatiri, disse aos militantes do partido que “a legitimidade da Fretilin foi obtida pela via eleitoral, se alguém quiser ir para os nossos lugares no Parlamento (55 dos 88 deputados foram eleitos pela Fretilin) tem de ser por via democrática”. Seis partidos da oposição retiraram, entretanto, a confiança ao presidente do Parlamento alegando que Francisco Guterres “permitiu que a instituição fosse controlada pelo governo”. Esses partidos rejeitam também que Alkatiri recupere o lugar de deputado “enquanto não for ilibado em tribunal das acusações de que é alvo, de distribuição ilícita de armas a civis”. Alkatiri vai ser ouvido neste caso, na sexta-feira, no Ministério Público. Entretanto, Ramos-Horta disse ontem que “a Fretilin tem maioria parlamentar mas a actual liderança é ilegítima por ter sido eleita com braço no ar, violando a votação secreta que está consagrada na lei”.
FORMAÇÃO DO NOVO GOVERNO
O presidente timorense, Xanana Gusmão, vai iniciar “imediatamente” diligências para a formação de um novo governo no âmbito do “actual quadro parlamentar” e só dissolverá o Parlamento se isso não for possível, e assim antecipa as eleições gerais”, previstas para o primeiro trimestre de 2007, lê-se num comunicado da Presidência timorense.
Por outro lado, o Conselho de Estado, reunido ontem, pronunciou-se a favor da prorrogação por 30 dias das medidas de segurança de emergência decretadas a 30 de Maio pelo presidente da República. As medidas de emergência incluem “a apreensão de armas, munições e explosivos”, “a vigilância de pessoas, edifícios e estabelecimentos” e a “exigência de identificação de qualquer pessoa que se encontre ou circule em lugar público ou sujeito a vigilância policial”.
REACÇÕES
PCP CRITICA
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, apelou às “grandes potências” para que deixem o povo timorense construir o seu próprio país sem ingerências externas. “O petróleo levanta grandes cobiças”, afirmou, numa refência indirecta à Austrália.
HOWARD APELA
O primeiro-ministro australiano, John Howard, apelou ao entendimento dos dirigentes políticos de Timor-Leste, afirmando que os militares australianos não vão ficar indefinidamente no país. A China, por sua vez, apelou ao diálogo para a resolução da crise.
FRANÇA QUER REFORÇO
A França, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, manifestou o seu apoio ao reforço do papel das Nações Unidas em Timor-Leste, defendido pela Austrália no âmbito da cimeira França-Oceânia.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)