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Correio da Manhã

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Portugueses fogem sob chuva de tiros

"Temos pena de regressar. Deixámos muitos amigos, mas a instabilidade é grande. Vivemos noites terríveis, com tiroteios a apenas dois quarteirões de casa. Acredito que esta foi a melhor opção." Duarte Guedes foi um dos cerca de quarenta portugueses que decidiram abandonar a Tunísia. O grupo chegou ontem de manhã ao aeroporto da Portela, em Lisboa. "Há mais portugueses a quererem sair", diz Duarte, que vive na Tunísia há cerca de três anos com a mulher, Mariana, e os dois filhos.
18 de Janeiro de 2011 às 00:30
Mariana Duarte (à direita), residente na Tunísia, emocionou-se ao rever os familiares no regresso a Portugal
Mariana Duarte (à direita), residente na Tunísia, emocionou-se ao rever os familiares no regresso a Portugal FOTO: Mariline Alves

Visivelmente aliviados à chegada a Lisboa, os portugueses ainda viveram alguns momentos de pânico enquanto aguardavam pelo embarque. "Enquanto esperávamos para entrar no avião ainda ouvimos tiros à porta do aeroporto. Começámos a fugir porque pensávamos que era dentro", disse Constantino Gomes, outro português.

Os portugueses residentes na Tunísia dizem ter sido bem apoiados pela embaixada, mas os que estavam de férias no país deixaram grandes críticas à falta de acompanhamento. "Nunca conseguimos contactar a embaixada. Fomos apanhados de surpresa no meio do conflito. Abandonaram-nos e não havia forma de termos informação", lamentou Paula Trindade. "Estive durante 24 horas no aeroporto cheia de medo e completamente sozinha. Nem a embaixadora estava lá. Agora, mais calma, vou tentar saber as razões para isto ter acontecido", acrescentou.

Contactada pelo CM, Paula Mascarenhas, assessora do Ministério dos Negócios Estrangeiros justificou a ausência da embaixadora Rita Ferro. "A embaixadora teve um problema de saúde que a obrigou a fazer uma operação e, por isso, está em Portugal e não na Tunísia", esclareceu.

PRIMEIRA-DAMA LEVOU OURO

Horas antes de fugir do país, Leila Ben Ali, a esposa do deposto presidente tunisino Zine Ben Ali, levantou 1,5 toneladas de ouro do Banco Central de Tunes, noticiou ontem o diário francês ‘Le Monde’. O ouro, no valor de 40 milhões de euros, terá sido colocado a bordo de um avião com destino ao Dubai.

Entretanto, o primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi, nomeou um governo de unidade que inclui várias figuras da oposição, mas os principais cargos – incluindo Interior e Defesa – continuam nas mãos dos anteriores titulares, o que poderá não ser suficiente para travar os protestos. Ghannouchi prometeu ainda libertar os presos políticos e lutar contra a corrupção.

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