Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
4

Portugueses vivem clima de guerra em hotel do Rio

Uma tripulante da TAP nem queria acreditar quando, à saída de um dos elevadores do hotel Intercontinental, no Rio de Janeiro, Brasil, viu um homem apontar-lhe uma pistola à cabeça.
22 de Agosto de 2010 às 00:30
Militares da tropa especial BOPE cercaram o hotel Intercontinental, até com carros blindados, e negociaram a libertação das 30 pessoas.Após três horas, conseguiram que os criminosos se entregassem e libertassem os reféns
Militares da tropa especial BOPE cercaram o hotel Intercontinental, até com carros blindados, e negociaram a libertação das 30 pessoas.Após três horas, conseguiram que os criminosos se entregassem e libertassem os reféns FOTO: Bruno Domingos/Reuters

Conseguiu escapar. Uma outra portuguesa foi, contudo, sequestrada, juntamente com mais cerca de 30 pessoas, durante três horas, tempo de duração das negociações entre a polícia e um grupo de criminosos fortemente armado que, ontem, ao início da tarde em Lisboa, irrompeu pelo hotel em fuga à polícia. O sequestro da portuguesa foi confirmado pela Secretaria de Estado das Comunidades.

Ao todo, seriam cerca de dez os criminosos, que acabaram por se render e libertar todos os reféns. A portuguesa, bem como a comissária da TAP a quem apontaram a arma, saiu ilesa, tendo prestado depoimento junto da polícia brasileira.

No hotel estavam ainda cerca de outros 50 portugueses – a maioria deles tripulantes da TAP –, que, em grande parte, se mantiveram nos quartos até que a situação acalmasse. Ainda assim, o pânico instaurou-se.

"Isto parecia uma guerra. Apareceu o BOPE, a tropa especial, e o resto das pessoas ficaram presas nos quartos. Os elevadores foram desligados e vieram avisar-nos para não sairmos dos quartos até nova ordem", disse Luís Pedro, comissário de bordo da TAP, à rádio TSF. "Duas horas mais tarde, vieram dizer-nos que iam ‘varrer’ os quartos e, depois, apanhámos a tropa especial aqui no nosso andar para ver se encontravam alguém (...). Uma colega nossa não ficou refém, mas apontaram-lhe uma arma à saída do elevador. Depois, levaram-na para a esquadra", disse o comissário da TAP.

Com este sequestro no hotel, foi activado o consulado no Rio de Janeiro, para que pudesse ser prestado algum auxílio aos portugueses que estavam hospedados no hotel Intercontinental. "Estão todos bem", disse fonte da Secretaria de Estado das Comunidades.

Momentos antes de os suspeitos entrarem no hotel, houve uma acesa troca de tiros com a polícia, em que morreu uma mulher e outras quatro pessoas ficaram feridas, entre as quais dois polícias.

"ACORDEI COM O BARULHO E VI HELICÓPTEROS AO REDOR"

Um dos muitos portugueses que se encontravam hospedados no hotel Intercontinental era o cunhado do actor português Ricardo Pereira. Sebastião Pinto Ribeiro, irmão de Francisca, que recentemente se casou com o actor, diz que acordou com o barulho do tiroteio.

"Acordei às oito e tal da manhã com o barulho. Meia hora após ter acordado, vim à janela e vi helicópteros ao redor do hotel. Eu e outros hóspedes ligámos para a recepção, e de lá disseram-nos que havia reféns dentro do hotel, que fora invadido por homens armados", começou por relatar Sebastião. "Ouvimos depois muitos polícias a bater nas portas dos quartos. Foi uma emoção. Ninguém da recepção do hotel nos informou de nada."

Gabriela Gouveia, por seu lado, era uma das muitas funcionárias da TAP que estavam hospedadas no Intercontinental, unidade que, habitualmente, alberga as tripulações da companhia aérea portuguesa. "Quando a situação foi desencadeada, foi-nos dito para ficarmos dentro dos quartos enquanto a polícia andava dentro do hotel. Apercebi-me das comunicações da polícia, do ajuntamento dos jornalistas e dos helicópteros ao redor do hotel".

Outro elemento da TAP, sob anonimato, não se apercebeu inicialmente do que se passava na unidade hoteleira. "Houve para aí uns tiros e umas explosões, mas aqui no Rio isso é um bocado normal", começou por dizer, acrescentando que só mais tarde é que se apercebeu de tudo o que estava a acontecer. "Só mais tarde percebi que era no hotel. Tinha ido tomar o pequeno-almoço e o elevador estava inoperacional. Contactei a recepção e foi quando fiquei a saber dos criminosos."

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)