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Correio da Manhã

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PRESIDENCIAIS MARCADAS POR BOICOTES E FRAUDES

A violência que se receava pudesse marcar as presidenciais afegãs de ontem não aconteceu, mas as históricas eleições no país ficaram marcadas pela confusão generalizada. Alegadas irregularidades cometidas por muitos dos cerca de dez milhões de eleitores inscritos e acusações de fraudes deliberadas marcaram a votação, com os rivais do favorito presidente Hamid Karzai a boicotarem o acto e exigiram novo escrutínio.
10 de Outubro de 2004 às 00:00
Envoltas nas tradicionais 'burqas', mulheres votam nas primeiras eleições democráticas no país
Envoltas nas tradicionais 'burqas', mulheres votam nas primeiras eleições democráticas no país FOTO: Desmond Boylan/Reuters
As primeiras eleições democráticas directas do Afeganistão, às quais concorreram 16 candidatos (dos boletins de voto constavam 18, mas dois desistiram a meio da semana em favor de Karzai), ficaram de facto manchadas pela decisão de 14 dos 15 adversários do presidente, os quais, numa reunião de emergência, anunciaram o boicote eleitoral e garantiram que não reconheceriam qualquer resultado expresso pelo histórico acto eleitoral de ontem.
A fundamentar a decisão, os candidatos, com o principal adversário de Karzai, Yunis Qanuni, à cabeça, alegaram, por exemplo, que a tinta utilizada para recolher as impressões digitais dos eleitores se limpava facilmente, o que permitia que este voltassem a votar. Aliás, foi mesmo detectado que alguns votantes colocaram diversos boletins de voto nas urnas.
No entanto, a comissão eleitoral considerou injustificadas quaisquer acusações de fraudes ou irregularidades, decidindo-se pela continuação do escrutínio, em detrimento da suspensão das eleições, que chegou a acontecer durante algumas horas em várias secções de voto da capital, Cabul.
Refira-se que se Karzai, apoiado pelos EUA, obtiver 51 por cento dos votos, evitará uma segunda volta (em Novembro).
REFUGIADA FOI A PRIMEIRA A VOTAR
Moqadasa Sidiqi , uma estudante de 19 anos, refugiada no Paquistão, foi a primeira mulher a exercer o seu direito de voto nas primeiras eleições presidenciais directas da história do Afeganistão.
Refira-se ainda que, entre os numerosos candidatos, encontra-se uma mulher, o que não deixa de ser significativo num país como o Afeganistão. Trata-se de Massouda Jalal, uma médica pediatra do Norte do país, que atraiu bastante as atenções dos media mas com poucas ou nenhumas hipóteses de eleição.
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