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Correio da Manhã

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Presidente aceita demissão de Larijani

O governo iraniano confirmou ontem oficialmente que o principal negociador do dossiê nuclear, Ali Larijani, resignou ao cargo. A demissão é considerada nos meios diplomáticos ocidentais uma vitória do presidente Mahmoud Ahmadinejad, com quem Larijani mantinha há meses desavenças profundas, em relação à condução da política nuclear mas, sobretudo, no que se refere à luta interna pelo poder entre diferentes facções do regime.
21 de Outubro de 2007 às 00:00
Larijani conduziu as negociações nucleares do Irão com o Ocidente
Larijani conduziu as negociações nucleares do Irão com o Ocidente FOTO: Reuters
Teerão apressou-se a divulgar, sem precisar o porquê da renúncia, que não haverá qualquer inflexão na política nuclear do país, cujas negociações com a ONU ficarão agora a cargo do desconhecido vice-ministro iraniano para os Assuntos Europeus e Americanos, Saeed Jalili. “Larijani tinha apresentado a sua demissão várias vezes (nos últimos seis meses) e o presidente aceitou-a agora” – afirmou um porta-voz do governo, Gholam Hossein Elham.
Larijani manteve sempre uma postura rígida nas negociações mas era tido como um dos elementos mais moderados do regime, ‘comprometido’ com as soluções diplomáticas, mercê de uma bem elaborada e muito pragmática estratégia de pressão sobre as potências ocidentais.
Com o seu afastamento, Ahmadinejad volta a controlar o dossiê, a escassos dias de uma importante reunião, em Roma, com negociador da União Europeia, Javier Solana.
Larijani, ex-comandante da Guarda Rev olucionária e aliado do líder supremo Ali Khamenei, foi nomeado, em 2005, por Ahmadinejad, chefe dos negociadores do dossiê nuclear iraniano. Foi com ele à frente das negociações que o Irão adoptou uma política de desafio, com a retomada do enriquecimento de urânio. No a no seguinte, o Conselho de Segurança da ONU, após relatório da AEIA, votou favoravelmente a imposição de sanções.
"ONZE MIL MÍSSEIS"
Um comandante da Guarda Revolucionária afirmou que o seu país tem arsenal suficiente para se defender e que responderá com 11 mil mísseis no primeiro minuto de um ataque. “Uma guerra (contra o Irão) não será longa. O inimigo será derrotado em poucas dias” – declarou Mahmoud Yaharbaghi.
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