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Correio da Manhã

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PRESIDENTE ANUNCIA FIM DA REBELIÃO

Um dia depois de militares revoltosos em Bissau terem morto barbaramente o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Veríssimo Seabra, e o chefe da Contra-Inteligência Militar, coronel Domingos Barros, o presidente da Guiné-Bissau, Henrique Rosa, anunciou o fim da 'insubordinação militar' numa curta conferência de Imprensa.
8 de Outubro de 2004 às 00:00
Os corpos de Veríssimo Seabra e Domingos Barros (à esq.) mortos na sublevação militar em Bissau
Os corpos de Veríssimo Seabra e Domingos Barros (à esq.) mortos na sublevação militar em Bissau FOTO: José Sousa Dias
A situação na capital guineense estava aparentemente calma e fontes militares em Portugal contactadas pelo CM ao fim da tarde de ontem davam conta de que o nível de prontidão dos militares portugueses deverá ser reduzido durante o dia de hoje.
Falando aos jornalistas, Henrique Rosa fez questão de sublinhar que não houve qualquer tentativa de golpe de Estado, mas "um descontentamento bastante profundo, acumulado ao longo do tempo" dos jovens militares que protagonizaram a sublevação para exigir o pagamento de salários em atraso referentes aos serviços prestados na Libéria, no âmbito da Missão da Paz da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
Sobre a morte de Veríssimo Seabra e Domingos Barros - cujos corpos foram ontem mostrados a jornalistas -, Henrique Rosa limitou-se a dizer que terão "um funeral digno". O presidente guineense terminou a sua comunicação com um apelo à comunidade internacional para que continue a apoiar o país, apesar deste "mero percalço na trajectória da paz e democracia".
Henrique Rosa não fez também qualquer referência aos chefes dos três ramos das Forças Armadas, que estavam dados como desaparecidos.
Fontes contactadas pelo CM afirmam que Watna Na Lai (Exército), do comodoro Quirino Spencer (Marinha) e do major-general Melcíades Gomes Fernandes (Força Aérea) poderão estar em missões diplomáticas estrangeiras, mas Carneiro Jacinto, assessor do ministro dos Negócios Estrangeiros, desmentiu-a categoricamente. "Sabemos onde estão, mas não podemos revelar por razões de segurança", garantiu aquele responsável português.
A previsão de uma redução do alerta por parte de Portugal indica que a situação está a caminho da normalização.
DEPOIMENTOS
"REESTRUTURAÇÃO DAS FORÇAS ARMADAS" (Fernando Ká, Presidente da Associação Guineense)
"Esta acção militar é um golpe de Estado porque o governo e o presidente da República estão reféns de um grupo de militares, que agora detêm o poder. É situação gravísssima porque gerou novamente um clima de instabilidade. Os guineenses deixam de ter esperança na normalização e a nível internacional deixa de haver confiança, tão necessária para o investimento. A solução para a Guiné-Bissau passa pela reestruturação profunda das Forças Armadas".
"ESPERO QUE SEJA UM INCIDENTE ISOLADO" (Ednilson, Futebolista do Gil Vicente, guineense)
"Tenho lá uma irmã e alguns tios. Telefonei ontem e hoje e disseram-me que já voltou tudo ao normal. Os guineenses foram apanhados de surpresa, tanto os que vivem lá, como os imigrantes que estão na Europa. É mau para o país. Desde há cinco ou seis anos que a comunidade internacional vê a Guiné com outros olhos, pois a situação tem melhorado, pelo que espero que este tenha sido um incidente isolado, até porque a população é que sofre".
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