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Correio da Manhã

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Presidente de Angola aperta cerco a fortunas angolanas

Lourenço prepara plano para cativar coercivamente os milhões de Angola depositados em bancos de Portugal.
F.J.G. 18 de Novembro de 2018 às 06:00
Lourenço está empenhado em combater corrupção herdada do antecessor
João Lourenço, Presidente de Angola
João Lourenço
Lourenço está empenhado em combater corrupção herdada do antecessor
João Lourenço, Presidente de Angola
João Lourenço
Lourenço está empenhado em combater corrupção herdada do antecessor
João Lourenço, Presidente de Angola
João Lourenço
O presidente de Angola, João Lourenço, tem um plano para recuperar os milhões angolanos dispersos em grandes fortunas pelo Mundo, que pode passar pela cativação forçada de contas e ativos, muitos deles pertencentes a antigos responsáveis do regime angolano e familiares do ex-presidente Eduardo dos Santos, caso de Isabel dos Santos e do general ‘Kopelipa’ que teria, alegadamente, mais de 400 milhões de euros em Portugal.

Numa grande entrevista ao ‘Expresso’, publicada este sábado, o líder angolano frisou que "o processo será longo" e seguramente não terminará em janeiro de 2019, fim da moratória de seis meses concedida para a repatriação voluntária dos capitais, que poderão totalizar mais de 24 mil milhões de euros.

Mas Lourenço garantiu que o "cerco está a ser apertado" para descobrir "os esconderijos do dinheiro de Angola". Para o efeito serão feitos "acordos judiciários com outros Estados, como o que se fez com Portugal", anunciou, revelando que está já em curso um trabalho "com as polícias, os serviços secretos, as unidades de informação financeira e os bancos estrangeiros" para chegar às fortunas escondidas.

O parlamento angolano aprovou no dia 13 do corrente mês uma lei para repatriamento coercivo de capitais no âmbito do combate à corrupção, que é bandeira de Lourenço. A caça às fortunas prende-se com o facto de muito desse dinheiro ter sido desviado dos cofres do Estado ou de não ter sido declarado em Angola segundo a legislação vigente.

Lourenço abordou igualmente a questão do antigo vice-presidente angolano Manuel Vicente, acusado de subornos em Portugal e entregue em maio à Justiça angolana após meses de tensão entre os dois países. Negou ter protegido Vicente e defendeu que Portugal teria feito o mesmo se estivesse em causa um antigo ministro português acusado de delitos em Angola.

Saída anunciada da Galp e do Millennium BCP
"A Sonangol deve retirar-se de grande parte dos negócios [...] que não têm a ver com o seu ‘core business’". João Lourenço confirmou, assim, que Angola vai desinvestir na Galp, não tendo projetos para comprar a participação de Isabel dos Santos. "Não digo que vamos sair amanhã, mas a tendência é essa", disse, incluindo ainda o Millennium BCP no desinvestimento da Sonangol.
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