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Kyriakos Pierrakakis admitiu que não existe consenso entre os ministros referente ao pedido italiano para excluir atuais gastos das regras orçamentais da União Europeia.
O presidente do Eurogrupo defendeu esta sexta-feira que a resposta à crise energética "não pode ser contraproducente", admitindo não existir consenso entre os ministros referente ao pedido italiano para excluir atuais gastos das apertadas regras orçamentais da União Europeia.
"Há países mais próximos de uma aplicação integral das regras [orçamentais] e outros mais favoráveis à introdução de determinadas flexibilidades, mas mesmo dentro desse espaço de debate - que é muito saudável no contexto do nosso grupo - todos compreendemos que não devemos ser contraproducentes", declarou Kyriakos Pierrakakis.
Falando aos jornalistas no final da reunião informal dos ministros das Finanças da moeda única, realizada em Nicósia pela presidência cipriota do Conselho da UE, o presidente do Eurogrupo destacou que "existem áreas em que há entendimento entre todos", não esta.
"Todos aderimos ao que a Comissão está a propor - medidas temporárias, direcionadas e específicas - são exatamente aquilo que devemos fazer. Todos concordamos que as medidas adotadas devem estar alinhadas com as prioridades de longo prazo da União", especificou.
"Todos aderimos ao que a Comissão está a propor - medidas temporárias, direcionadas e específicas - são exatamente aquilo que devemos fazer. Todos concordamos que as medidas adotadas devem estar alinhadas com as prioridades de longo prazo da União", especificou.
Também questionado sobre esta matéria, o comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, apontou que "Itália é o país que, de forma mais consistente, tem pedido flexibilidades adicionais".
"Houve também outros países a levantarem essa questão em diferentes contextos, mas, de um modo geral, parece haver consenso sobre a necessidade de uma resposta orçamental focada, evitando instrumentos fiscais demasiado abrangentes e sem sustentar ou aumentar a procura de combustíveis fósseis, tendo igualmente em conta o limitado espaço orçamental de que dispomos", adiantou Valdis Dombrovskis.
Na quinta-feira, o comissário europeu disse estar a avaliar o pedido de Itália para excluir os gastos decorrentes da crise energética, causada pela guerra no Irão, das apertadas regras orçamentais da UE, mas defendeu "prudência orçamental".
"Estamos certamente a analisar a carta [da primeira-ministra italiana] e estamos a avaliar quais são as opções de política, o que pode ser feito, também em termos de política orçamental, mas no geral precisamos de ser prudentes na nossa resposta orçamental por razões de sustentabilidade das finanças públicas", afirmou, falando em entrevista a um grupo de jornalistas europeus em Bruxelas, incluindo a Lusa.
"O ponto aqui é perceber qual é a resposta política adequada, tendo em conta todos os fatores que estamos a enfrentar. Estamos perante um crescimento mais lento, inflação mais elevada e um choque do lado da oferta. Assim, simplesmente estimular a procura não resolverá um choque de oferta", justificou Valdis Dombrovskis.
Em meados deste mês, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, enviou uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a pedir a exclusão dos gastos decorrentes da crise energética do Pacto de Estabilidade (PEC).
O PEC é o conjunto de regras da União Europeia que visa garantir finanças públicas sólidas e coordenar as políticas orçamentais para a estabilidade do euro, fixando tetos de 3% do PIB ao défice público e de 60% do PIB à dívida pública.
Na carta, Meloni garantiu que "Itália continuará a fazer a sua parte para reforçar a segurança e a defesa europeias" e a defender que a UE invista mais na sua capacidade estratégica, sublinhando porém que "aos olhos dos cidadãos europeus existe outra emergência igualmente concreta e imediata: a energia".
O crescimento da economia da zona euro vai abrandar, em 2026, para os 0,9% e o da UE para 1,1%, devido ao conflito no Médio Oriente, segundo as previsões económicas da primavera, divulgadas na quinta-feira pela Comissão Europeia.
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