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Correio da Manhã

Mundo
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Presidente em queda

De ‘presidente revolucionário’ a ‘presidente isolado’. Separados por cerca de um ano, os títulos das revistas ‘Time’ e ‘Newsweek’ ilustram bem o enorme ‘tombo’ sofrido por George W. Bush ao longo do último ano.
20 de Janeiro de 2006 às 00:00
Bush não esperava passar o início do segundo mandato na defensiva
Bush não esperava passar o início do segundo mandato na defensiva FOTO: Shawn Thew/EPA
A falta de uma estratégia para o Iraque, a ausência de resultados na guerra contra o terrorismo, os escândalos que rodearam a Administração e a reacção tardia ao desastre do ‘Katrina’ deitaram por terra o capital de confiança e popularidade que Bush conseguira reunir no pós-11 de Setembro. Estará Bush a tempo de salvar o que resta do seu segundo mandato?
Há um ano, quando tomou posse para um novo mandato de quatro anos, a popularidade de Bush estava em alta. Contra todos os prognósticos, tinha vencido as eleições e preparava-se para arrancar para um segundo mandato ambicioso, aquele que Bush acreditava que deixaria a sua marca na História dos EUA. O discurso do Estado da Nação de 2005 foi o reflexo dessa confiança: da democratização do Iraque à reforma da segurança social, passando pela exploração do espaço, mostrou um Bush ambicioso e com uma visão alargada.
Com tantos planos, Bush não esperava, certamente, passar o ano na defensiva. Mas foi precisamente o que aconteceu. A pressão interna para sair do Iraque foi crescendo à medida que o número de soldados americanos mortos aumentava, ao ponto de o presidente se ver obrigado a vir a público, várias vezes, reconhecer os erros e tentar provar que tinha uma estratégia para a vitória. Ninguém ficou convencido.
Depois vieram os escândalos. O ‘Plamegate’ deixou marcas profundas na Administração, ao implicar colaboradores próximos de Bush e Rumsfeld. A Europa insurgiu-se contra as alegadas prisões secretas da CIA e o transporte clandestino de suspeitos de terrorismo com escala em aeroportos do Velho Continente. Com o ‘Katrina’, a América descobriu uma faceta desconhecida – a incapacidade de se ajudar a si própria. E a gota de água veio com a revelação de que Bush autorizou escutas indiscriminadas a cidadãos americanos.
Depois de um ano negro, resta saber se o presidente terá capacidade para inverter a tendência descendente. A solidez da economia americana e o enraizamento da democracia do Iraque podem ser uma boa ajuda.
CORRIDA À SUCESSÃO
RUDOLPH GIULIANI
O antigo ‘mayor’ de Nova Iorque é o favorito à nomeação republicana para as presidenciais de 2008. Símbolo da coragem dos nova-iorquinos nos dias traumáticos após os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, é um político extremamente popular e tem uma reputação de competência.
CONDOLEEZZA RICE
A actual secretária de Estado surge em terceiro lugar nas sondagens sobre os possíveis candidatos republicanos, atrás de Giuliani e do senador John McCain, e tem sempre dito que não tenciona candidatar-se. Mas ninguém duvida que esta mulher de armas poderia fazer ‘mossa’ na corrida.
HILLARY CLINTON
A antiga primeira-dama não parece ter rival à altura no Partido Democrata. Além da experiência e popularidade acumuladas nos oito anos que passou na Casa Branca, tem a pré-campanha mais bem organizada de que há memória. É uma séria candidata ao lugar de Bush.
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