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Correio da Manhã

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Presidente em queda livre enfrenta Congresso hostil

Perante um Congresso hostil e enfraquecido por índices de popularidade em baixa recorde, o presidente dos EUA, George W. Bush, apresentou esta madrugada um discurso do Estado da União dominado pelos temas domésticos. O Iraque foi a excepção num discurso essencialmente virado para dentro e com poucas novidades.
24 de Janeiro de 2007 às 00:00
Naquele que foi o seu sexto discurso do Estado da União desde que tomou posse, Bush enfrentou pela primeira vez uma plateia declaradamente hostil – não só pela nova maioria democrata em ambas as câmaras mas também pelo enorme descontentamento que grassa nas hostes republicanas com a actuação de Bush, que muitos responsabilizam pelo desastre eleitoral de Novembro.
À entrada para a sessão conjunta do Congresso Bush ficou ainda a saber que a sua popularidade voltou a bater no fundo: várias sondagens ontem divulgadas colocavam a sua taxa de aprovação entre os 28 e os 34 por cento, as mais baixas do seu mandato, para além de lhe conferirem a pouco invejável posição de presidente mais impopular desde Richard Nixon. Mais de metade dos norte-americanos (55%) considera mesmo a sua presidência um fracasso, de acordo com uma sondagem da CNN.
Uma fonte governamental afirmou horas antes do discurso que Bush, ciente da sua fragilidade, ia apresentar uma dissertação contida, repleta de apelos à cooperação entre o Congresso e a Casa Branca, e sem qualquer proposta verdadeiramente ambiciosa. A saúde, a imigração, o ambiente e a energia foram destacados pelos assessores presidenciais como os “pontos fulcrais” do discurso presidencial, que não deveria ultrapassar os 50 minutos.
De acordo com a mesma fonte, no plano da política externa Bush ia mais uma vez defender a sua nova estratégia para o Iraque – rejeitada pela maioria dos norte-americanos – apostando no argumento de que se trata de uma frente crucial na guerra contra o terrorismo que visa tornar a América mais segura.
CURIOSIDADES
TRADIÇÃO
O discurso do Estado da União serve para o presidente anunciar as propostas legislativas do governo para o ano seguinte. O primeiro foi lido em 1790 por George Washington.
TODOS JUNTOS
Estão presentes todos os membros de ambas as câmaras, os juízes do Supremo, chefes militares e todos os membros do governo menos um, que fica em local secreto para garantir a continuidade do governo em caso de ataque.
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