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Presidente interina da Venezuela pede aos EUA e UE fim das sanções

Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo após a detenção de Nicolás Maduro em Caracas pelos EUA, em janeiro último, afirmou que o seu país não está a pedir esmola, mas sim a "reivindicar os seus direitos".

19 de abril de 2026 às 23:42

A presidente interina da Venezuela fez este domingo um apelo aos líderes dos EUA e da Europa para o fim total das sanções, no início de uma peregrinação nacional que organizou para exigir o levantamento destas contra o país.

"Falo ao povo dos EUA, falo ao povo da Europa, falo aos seus governos, às suas autoridades: basta de sanções contra o nobre povo venezuelano", disse Delcy Rodríguez após atravessar a icónica Ponte do Lago Maracaibo, no estado de Zulia (noroeste, na fronteira com a Colômbia).

A presidente, que assumiu o cargo após a detenção de Nicolás Maduro em Caracas pelos EUA, em janeiro último, afirmou que o seu país não está a pedir esmola, mas sim a "reivindicar os seus direitos".

"E um direito fundamental é que a Venezuela esteja livre de sanções para que se possa desenvolver livremente com o mundo, para que se possa desenvolver sem qualquer intervenção, sem restrições, sem limitações", afirmou no evento, que foi transmitido pelo canal de televisão estatal Venezolana de Televisión (VTV).

A peregrinação, que tem três rotas, vai prolongar-se até 01 de maio, data prevista para o anúncio da presidente sobre um aumento "responsável" do salário mínimo, congelado em 130 bolívares mensais desde março de 2022, o equivalente a cerca de 27 cêntimos de dólar norte-americano ao câmbio atual.

Além de Zulia, a mobilização teve início no estado de Táchira (oeste, na fronteira com a Colômbia), com a presença do ministro do Interior, Diosdado Cabello, e na região do Amazonas (sul, na fronteira com a Colômbia e o Brasil), onde estiveram presentes o presidente da Assembleia Nacional e irmão do presidente, Jorge Rodríguez.

Os EUA, a União Europeia (UE), que impôs sanções em novembro de 2017, o Canadá (2017), a Suíça (2018) e o Reino Unido --- que adotou o seu próprio regime de sanções após finalizar a sua saída da UE em 2020 --- têm sido os principais impulsionadores de medidas económicas e financeiras contra o aparelho estatal venezuelano e altos funcionários chavistas nos últimos anos.

As sanções restringiram a principal fonte de divisas, o petróleo bruto, e mantiveram a Venezuela isolada do sistema financeiro internacional, afetando o comércio, o investimento e a capacidade do Estado para pagar as suas dívidas.

Apesar de algum alívio, as restrições estruturais ao petróleo e ao financiamento integral do Estado venezuelano persistem, os fundos e ativos do país no estrangeiro continuam congelados ou sob controlo, e as sanções individuais contra alguns membros da elite chavista continuam em vigor.

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