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Presidente turco pretende aumentar cooperação nuclear com a Rússia

Vladimir Putin indicou que o primeiro reator da central de Akkuyu começará a operar ainda este ano, elogiando a Turquia como "um dos grandes parceiros em matéria de política externa e económica" de Moscovo.

01 de setembro de 2026 às 18:54

A Turquia planeia expandir a cooperação nuclear com a Rússia com vista à construção de mais centrais no país, indicou esta terça-feira o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, após um encontro com o homólogo russo, Vladimir Putin.

À margem da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, no Quirguistão, o líder turco afirmou que Ancara "tomará medidas conjuntas para inaugurar algumas novas centrais elétricas", no seguimento da inauguração da central nuclear de Akkuyu.

Esta central tem "uma grande importância nas relações Rússia-Turquia" e encontra-se na sua fase final, segundo Erdogan, citado pela agência de notícias estatal turca Anadolu, nas suas declarações no Quirguistão, proferidas ao lado de Putin.

Erdogan descreveu as relações entre os dois países como estando "num nível muito mais avançado hoje do que em qualquer período anterior", embora a Turquia pertença à NATO, que apoia a Ucrânia desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.

A Rosatom, uma corporação estatal russa, está perto de concluir a central nuclear de Akkuyu, na costa mediterrânica da Turquia. Espera-se que os seus quatro reatores gerem cerca de 10% da eletricidade do país.

Vladimir Putin, por sua vez, indicou que o primeiro reator da central de Akkuyu começará a operar ainda este ano, elogiando a Turquia como "um dos grandes parceiros em matéria de política externa e económica" de Moscovo.

Apesar do impasse negocial na guerra da Ucrânia, que se prolonga há mais de quatro anos, o Presidente russo instou os parceiros da Organização de Cooperação de Xangai a fazer "todos os possíveis" para impedir a propagação de conflitos no mundo.

Fundada em 2001, a organização é um bloco transregional que abrange o sul e o centro asiático, tendo como membros permanentes China, Rússia, Paquistão, Índia, Uzbequistão, Tajiquistão, Quirguistão e Cazaquistão.

Além da guerra na Ucrânia, a cimeira na capital do Quirguistão ocorre em pleno conflito no Médio Oriente, iniciado em fevereiro pelos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irão e que se propagou pela região.

Falando aos seus pares em Bishkek, Erdogan condenou a "política agressiva" de Israel, que está envolvido em frentes de conflito na Palestina, no Líbano e na Síria.

"Não podemos esquecer Gaza, onde 74 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, perderam a vida devido aos ataques de Israel, bem como o Líbano quando discutimos a paz. Toda a nossa região está a pagar o preço por esta política agressiva", alertou o Presidente turco, citado pela agência Anadolu.

A par de Erdogan e Putin, a cimeira conta com a presença dos presidentes da China, Xi Jinping, e do Irão, Masoud Pezeshkian, e do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

No seu discurso, o líder turco afirmou ainda que o pacto de defesa mútua assinado pelo seu país no mês passado com a Arábia Saudita e o Paquistão contribuirá para a paz e a estabilidade na região e em todo o mundo.

Sobre a Organização de Cooperação de Xangai, declarou que é uma "estrela em ascensão" que "desempenhará um papel importante na construção de um mundo verdadeiramente multipolar".

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