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PRIMEIRAS MORTES EM MOSCOVO

O comando de rebeldes tchetchenos que desde a noite de quarta-feira mantém sequestradas cerca de 700 pessoas num teatro de Moscovo cancelou ontem a libertação de reféns depois de um dia agitado durante o qual uma polícia foi abatida, o cadáver de uma jovem de 20 anos foi removido do edifício e duas outras reféns conseguiram escapar aproveitando a entrada de uma equipa médica.

25 de outubro de 2002 às 00:00

Os rebeldes endureceram ainda o tom, dando um prazo de sete dias para o início da retirada russa da Tchetchénia. O incumprimento desta exigência implica a destruição do teatro e a morte de todos os reféns. Durante todo o dia informações desencontradas davam conta da tensão crescente em Moscovo. No final da manhã um britânico, três crianças e uma mulher foram libertados, havendo promessas para a libertação de entre dez a 30 outros cativos estrangeiros cuja nacionalidade fosse entretanto confirmada pelas autoridades diplomáticas dos respectivos países.

Esta iniciativa foi cancelada pouco depois sem justificação e no final do dia os rebeldes excluíam a possibilidade de mais libertações antes da retirada russa. Os últimos números indicam a presença de 75 estrangeiros entre os reféns, dos quais cerca de 40 são crianças. Foram ao todo libertadas, afirma-se, 37 pessoas.

Circulavam igualmente notícias desencontradas sobre uma mulher de 20 anos abatida pelos tchetchenos. O que se sabe ao certo é que um cadáver foi removido do teatro. Fontes médicas revelaram que a vítima foi abatida com um tiro no peito. Os rebeldes negam ter executado reféns, reconhecendo apenas ter abatido de madrugada uma mulher que persistiu em entrar no teatro apesar de avisada para retroceder. Segundo o comando tchetcheno tratava-se de uma agente da Polícia à paisana que tentava infiltrar-se para obter informações.

Quanto ao cadáver removido pertence, segundo algumas fontes, a uma mulher que terá perdido a vida durante o ‘raide’ de quarta-feira. Um outro aspecto pouco claro respeita à causa de três explosões ouvidas junto do Palácio da Cultura “Podshipnikov Zavod” (nomes pelo qual é identificado o teatro).

De acordo com o ‘site’ dos separatistas tchetchenos, “kavkaz.org”, uma primeira explosão, que se fez sentir horas depois da remoção do cadáver, foi causada por uma granada lançada no interior do edifício por um militante que tentava garantir a segurança de uma sala. Não houve vítimas, afirma o ‘site’.

Duas outras explosões escutadas ao fim da tarde foram, segundo fontes policiais, o resultado do disparo de “bazookas” contra duas reféns que entraram em fuga no momento em que uma equipa médica foi autorizada a entrar no teatro. Ambas escaparam mas uma delas sofreu ferimentos de estilhaços. As negociações prosseguiam no final do dia, mediadas pela Cruz Vermelha Internacional.

Mulheres dispostas a morrer

A cadeia de Televisão Al-Jazeera, do Qatar, transmitiu ontem imagens de um vídeo em que se vê um grupo de pessoas identificado como sendo membros do comando suicida tchetcheno que tomaram de assalto um teatro de Moscovo. No grupo, vêem-se mulheres de rosto tapado com a burqa, uma das quais faz um longo discurso: “Todo o povo tem direito à autodeterminação. A Rússia retirou aos tchetchenos esse direito e, hoje, queremos reivindicá-lo. (...). Estamos decididos a morrer e vamos matar centenas de pecadores. Após a nossa morte, os nossos irmãos e as nossas irmãs seguirão o nosso exemplo”. Terminado este longo discurso, um homem, vestido de negro, afirmou: “Juro por Deus que nós estamos mais desejosos de morrer do que vocês de viver”.

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