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Correio da Manhã

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PRIMEIRO CASO EM BAGDAD

Os inspectores das Nações Unidas viram-se ontem obrigados a recorrer ao “telefone vermelho” para conseguir entrar num laboratório iraquiano, naquele que foi o primeiro incidente desde o reinício das inspecções internacionais.
14 de Dezembro de 2002 às 00:00
O incidente ocorreu quando peritos da UNMOVIC tentaram aceder a várias salas fechadas no Centro Hospitalar de Doenças Contagiosas, em Bagdad. Os poucos funcionários presentes afirmaram não poder abrir as salas, facto que levou os inspectores a recorrerem ao “telefone vermelho” para dar conta do problema aos seus superiores e aos responsáveis de ligação iraquianos. A situação foi finalmente resolvida com a chegada ao local do chefe da equipa de ligação, general Hussam Mohammed Amin, que mandou abrir as portas e desdramatizou o incidente, afirmando que se tratou apenas de um “pequeno contratempo”, o qual foi “resolvido rapidamente”.

Fonte das Nações Unidas também não quis empolar o assunto, afirmando que a situação se terá ficado a dever ao facto de a inspecção ter ocorrido a uma sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos, e que, por essa razão, se encontravam poucos funcionários nas instalações.

Também ontem, uma segunda equipa da inspectores visitou de surpresa um complexo industrial usado como fábrica de mísseis nos arredores da capital iraquiana, mas não encontrou qualquer obstáculo. Esta fábrica, que foi bombardeada em 1998 pela aviação americana e britânica, é usada para produzir mísseis “Al-Sumoud”, autorizados pelas Nações Unidas.

Entretanto, fontes diplomáticas citadas pelo jornal “New York Times” revelaram ontem que o relatório sobre armas de destruição em massa fornecido pelo Iraque à ONU contém “graves omissões” e não passa de uma “reciclagem” de relatórios anteriores. Segundo o jornal, uma análise prévia do documento, que tem 12 mil páginas, não revelou o paradeiro de mais de 500 ogivas com gás mostarda e outras armas químicas, nem explica, por exemplo, porque é que o Iraque tentou adquirir urânio e outros materiais usados no fabrico de armas nucleares. Também não foram apresentadas quaisquer provas da destruição de armas identificadas em inspecções anteriores.
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