Um “primo” afastado de D. Duarte Pio de Bragança, o príncipe Pedro Tiago de Orleans e Bragança, membro da família real portuguesa do ramo brasileiro, foi acusado de roubar, em Agosto de 2001, parte de um serviço de jantar do século XIX, que estava guardado na residência oficial da família real, o Palácio Grão-Pará, em Petrópolis, Rio de Janeiro.
A notícia foi ontem avançada pelo jornal brasileiro “O Globo”, de acordo com o qual, o príncipe terá sido convencido por um comerciante, Agnelo Aluízio de Oliveira, a roubar, em conjunto com o filho do comerciante, mais de 100 peças de um serviço de porcelana histórico composto por um total de 320 peças. Todas as peças têm um desenho único – a coroa real em dourado e vermelho – e são consideradas verdadeiras obras de arte.
O serviço pertencia à tia do príncipe, a princesa Cristina de Bourbon de Orleans e Bragança, que o tinha recebido, em 1983, da sua mãe, dona Esperanza de Orleans e Bragança, tetraneta de D.Pedro II, que, por sua vez, o havia recebido da rainha dona Amélia de Portugal. Refira-se que D.Pedro II é sobrinho de D.Miguel que, por sua vez, é bisavô de D. Duarte Pio de Bragança.
A princesa Cristina denunciou o desaparecimento das porcelanas em Agosto de 2001 e foi devido à intensa divulgação do roubo na imprensa que parte das peças foram localizadas em São Paulo, no antiquário do “marchand” Luiz Machado de Mello, que pagara por estas cerca de 17 mil euros (cerca de 42 mil reais). O material terá sido vendido por Agnelo que, por sua vez, terá comprado as peças ao príncipe Pedro Tiago por apenas oito mil reais. O pai de Pedro Tiago, o príncipe Pedro Carlos Bourbon de Orleans e Bragança, conseguiu resgatar parte das porcelanas por 28 mil reais.
A denúncia contra o príncipe, apresentada pelo Ministério Público, foi aceite pelo juiz Marcelo Almeida de Moraes Marinho, da 2.ª Vara Criminal de Petrópolis, que marcou para o próximo dia 12 de Março, o interrogatório do príncipe e dos comerciantes Agnelo Aluízio de Oliveira, o filho, Rodrigo Soares de Oliveira, e o “marchand” paulista Luiz Machado de Mello, acusados de receptação.
Refira-se que a princesa Cristina pede uma indemnização por danos materiais, no valor de 60 mil euros, uma indemnização por terem sido reduzidos em 75% os rendimentos do seu trabalho e uma indemnização pelos danos morais, cujo valor deverá ser definido pela Justiça.
Acrescente-se que o príncipe Pedro Tiago foi vítima de um sequestro em 1993 e, recentemente, terá manifestado interesse em entrar para a Polícia civil do Rio de Janeiro.
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