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Correio da Manhã

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Príncipe André nega acusações de abusos sexuais e alega que estava numa pizzaria

Virginia Giuffre disse ter sido obrigada a ter relações com o duque de Iorque três vezes, uma delas a 10 de março de 2001.
17 de Novembro de 2019 às 11:43
Príncipe André
Palácio de Buckingham negou publicamente as acusações imputadas ao príncipe André
Príncipe Andrew, duque de Iorque
Príncipe André
Palácio de Buckingham negou publicamente as acusações imputadas ao príncipe André
Príncipe Andrew, duque de Iorque
Príncipe André
Palácio de Buckingham negou publicamente as acusações imputadas ao príncipe André
Príncipe Andrew, duque de Iorque

Uma ida a uma pizzaria de Woking, fora de Londres, é o álibi apresentado pelo príncipe André para desmentir "categoricamente" ter mantido relações sexuais com uma mulher norte-americana que assegurou ter sido forçada a isso quando tinha 17 anos. O exercício de memória do filho de Isabel II foi feito durante uma entrevista à BBC, transmitida este sábado, na qual o duque de Iorque procurou esclarecer os seus vínculos com o empresário norte-americano Jeffrey Epstein, acusado de tráfico sexual de menores e que foi encontrado enforcado na sua cela em Nova Iorque, em agosto.

Virginia Giuff garantiu ter tido relações sexuais com o príncipe pelo menos três vezes, entre 2001 e 2002, uma delas em Londres, outra em Nova Iorque e uma terceira na casa de Epstein nas ilhas Virgens. Esta mulher chegou a indicar concretamente que esteve com o príncipe em 10 de março de 2001 em Londres, algo que o duque desmentiu porque, assegurou, tinha levado nesse dia a sua filha mais velha, a princesa Beatriz, a uma festa numa pizzaria de Wokin antes de passar a noite em sua casa E como se lembra? Ir ao Pizza Express, em Woking, "era algo muito incomum". "Não aconteceu. Posso dizer categoricamente que nunca aconteceu. Não me recordo ter conhecido alguma vez esta senhora", insistiu várias vezes o príncipe, que por momentos chegou a levar algum tempo a responder às questões da jornalista Emily Maitlis.

O príncipe, cuja amizade com Epstein causou controvérsia no Reino Unido, admitiu ter ficado hospedado várias vezes - umas quatro - nas residências do empresário nos Estados Unidos, mas que em nenhum momento chegou a suspeitar que houvesse comportamento inapropriado por parte do norte-americano, condenado em 2008 a 18 meses de prisão por tráfico sexual de menores. André disse ainda que conheceu Epstein através da sua amiga Ghislaine Maxwell, filha do falecido magnata Robert Maxwell. Depois da detenção do milionário, a imprensa revelou que a socialite inglesa de 57 anos teve um papel fundamental no recrutamento de raparigas menores para serem abusadas por Jeffrey e outros homens. 

Giuffre é uma das 16 mulheres que declararam ter sido vítimas de abusos de Epstein. Outra mulher, identificada como Johann Sjoberg, afirmou nos Estados Unidos que o príncipe lhe terá tocado nos seios quando estavam sentados num sofá em casa de Epstein em Manhattan, em 2001.

Quando rebentou o escândalo, os chegaram a publicar há alguns meses fotografias de 2010 em que se via o duque na mansão de Epstein, em Nova Iorque, a despedir-se de uma jovem, enquanto ela saía de casa, e também uma outra em que aparecia o duque com a mão na cintura de Giuffre.

André reconheceu que foram feitas análises para estabelecer se essa foto com Giuffre - que o príncipe insistiu não se recordar - teria sido alterada, mas que essas provas nunca foram conclusivas, porque é "uma fotografia de uma fotografia de uma fotografia". "Sou eu, mas se essa é a minha mão ou se essa é a posição. Não me lembro de todo da fotografia ter sido tirada", disse, acrescentando ainda que demonstrações públicas de afeto não fazem parte do seu comportamento.

Esta foi a primeira vez que o duque, de 59 anos, falou publicamente sobre os seus vínculos com o empresário, encontrado morto na sua cela de Nova Iorque no passado dia 10 de agosto, enquanto enfrentava novas acusações de conspiração de tráfico sexual de menores. Na entrevista com a BBC, o príncipe admitiu que, antes de considerar a possibilidade de prestar declarações sob juramento nos Estados Unidos sobre as acusações, irá procurar assessoria jurídica.

Ao responder à pergunta por que ficou em casa de Epstein em 2010, depois da primeira condenação do empresário, André salientou que é algo que lamenta "todos os dias" e que foi algo que não devia ter feito "por ser membro da família real". Nesse dia, acrescentou, pareceu-lhe que ficar na casa do empresário era mais fácil e "conveniente", mas olhando retrospetivamente, o que fez foi algo "errado". "Era um lugar conveniente para ficar. Pensei muito e concluí, com a retrospectiva que se pode ter, que foi definitivamente uma decisão errada. Mas, na altura, achei que era uma atitude certa e honrosa", reforçou. 

O duque esclareceu ainda que não se arrepende de ter sido amigo de Epstein devido às oportunidades de aprender sobre o setor empresarial quando era enviado especial do comércio, antes de 2011. "As pessoas que eu conheci e as oportunidades que me foram dadas para aprender com ele ou por causa dele foram realmente muito úteis", confessou.

Na altura em que as fotos foram publicadas e a relação de amizade referida nas notícias, o Palácio de Buckingham disse, em comunicado, que André se sentia "chocado" com os relatos dos alegados crimes cometidos por Jeffrey Epstein. "A sua alteza real abomina a exploração de qualquer ser humano e a sugestão de que possa tolerar, participar ou encorajar qualquer destes comportamentos é execrável", lia-se no documento.

De acordo com a procuradoria do distrito sul de Manhattan, Epstein criara, há mais de uma década, uma rede para abusar de dezenas de meninas na sua mansão de Nova Iorque, e numa outra situada na Florida. O magnata já tinha enfrentado acusações similares na Florida, mas em 2008 alcançou um acordo extraoficial com a procuradoria para o fim da investigação, tendo cumprido 13 meses de prisão e alcançado um acordo económico com as vítimas. O acordo foi supervisionado pelo então procurador de Miami, Alexander Acosta, que foi posteriormente nomeado secretário do Trabalho pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e que foi forçado a renunciar do cargo devido às críticas emitidas na sequência da nova detenção de Epstein.

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